Edição Nº  91 | 4 abril, 2013    
 
 
Entendendo o Risco-Brasil**
 
O risco-país é um indicador que mostra o grau de instabilidade econômica enfrentado por um país. Desta forma, tornou-se uma expressão que se popularizou muito nos últimos tempos, especialmente nos países emergentes que enfrentam freqüentes climas de instabilidade como o Brasil.

O pioneiro no cálculo do risco-país foi o banco americano J. P. Morgan, especializado em investimentos. O J. P. Morgan analisa o rendimento dos instrumentos da dívida de um determinado país, principalmente o valor (taxa de juros) com o qual o país pretende remunerar os aplicadores em bônus, representativos da dívida pública. Hoje existem diferentes bancos de investimentos e agências de classificação de risco que fazem essa classificação.

O risco país é na verdade um índice denominado Emerging Markets Bond Index Plus (EMBI+) e ele o quão perigoso o país pode ser para um investidor estrangeiro. Não é de se estranhar então que o calculo deste indicador se concentre nos países emergentes.

Na América Latina, os índices que apresentam maior relevância são justamente aqueles voltados ao Brasil, México e Argentina as economias de maior peso. Todavia, dados de outros países emergentes como Rússia, Bulgária, Marrocos, Nigéria, Filipinas, Polônia, África do Sul e Malásia também são considerados comparativamente no cálculo desses índices.

O risco-país funciona como um orientador, mostrando ao investidor que o preço de se arriscar a fazer negócios em um determinado país é mais ou menos elevado. Quanto maior o risco, menor a capacidade do país de atrair investimentos estrangeiros. Para tornar o investimento atraente, o país tem que elevar as taxas de juros que remuneram os títulos representativos da dívida.
Muitos economistas acusam as instituições que calculam os índices de causarem flutuações no mercado. Porém, segundo Gustavo Franco, as entidades "classificadores de risco" apenas seguem o mercado muito mais do que o influenciam, e quando fazem uma mudança de nota para cima é claro que o mercado festeja, mas geralmente já está incluída nos preços. Ou seja, o calculo do risco-país é um indicador bastante representativo da realidade do país.

No caso do nosso país, o risco-país ficou conhecido como “risco Brasil” e é efetivamente o principal índice de percepção da confiança dos investidores estrangeiros no Brasil. O Risco Brasil é, então, uma tentativa de quantificar o risco de se investir no país.

Ele é expresso em pontos ou em taxa ao ano, dado pela diferença entre o que se recebe para investir no Brasil (através de seus diversos títulos) em relação aos títulos do tesouro dos EUA, considerados os ativos mais seguros do mundo. Em sua última contabilização, ele apresentou uma ligeira piora no EMBI+ brasileiro, o indicador de risco do Brasil calculado pelo Banco JP Morgan, que registrava 375 pontos, com alta de 0,27% sobre a sessão anterior, quando fechou aos 374 pontos.

Para entendermos melhor esta relação, podemos analisar o exemplo o de investidor internacional comprando um título da dívida externa do Brasil no mercado internacional. Desta forma, quanto maior for esta medida, maior o risco percebido e maior são os retornos requeridos para se aplicar em ativos do país. No caso brasileiro , tem como base um conjunto de títulos que circulam no mercado secundário da dívida externa brasileira, com destaque um título do governo, o " C-Bond".

O C-Bond é o título da dívida externa brasileira mais negociado no exterior, de maior liquidez, pagando juros em dólares. Quando os investidores acreditam que as perspectivas da economia brasileira são boas, são pagos juros menores, se são ruins, paga-se juros maiores. Desta forma, os juros pagos pelo C-Bond são uma boa medida de risco país.
O risco-brasil vem sendo muito criticado e acusado de exagerar na visão que transmite das dificuldades brasileiras, manchando a imagem do Brasil no mercado financeiro internacional. Entretanto ele é apenas um indicador econômico baseado em fatos e números estabel


por Marília Bertoluci
Adm. de Empresas e Ciências Economicas / UFRGS e Associada do IEE
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