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Edição Nº 32 - 21 de Novembro de 2002
Artigo

As Perspectivas econômicas para o governo Lula

Giácomo Balbinotto Neto*

O objetivo deste artigo é o de discutir, muito brevemente, quais são as perspectivas econômicas para do novo governo eleito – o “governo Lula”, destacando os principais problemas a serem enfrentados em termos de estratégia econômica.

Em primeiro lugar, devemos destacar que o novo governo eleito possui um capital político invejável para o início do seu governo, visto que obteve mais de 50 milhões de votos válidos, a maior votação registrada na história ocidental e uma maioria dos votos em termos proporcionais. Além disso, embora seu partido não tenha maioria na Câmara e no Senado, é a maior bancada no legislativo. Contudo, apesar de não ter maioria Congresso, as articulações políticas que estão sendo feitas antes da posse são no sentido de obter um forte apoio e sustentação para as políticas que serão implementadas. Neste sentido, o Presidente eleito tem buscado apoio em políticos tidos como adversários anteriormente, tais com Antônio Carlos Magalhães e José Sarney. No campo internacional, a eleição também recebeu apoio nos principais países europeus, na América Latina e pelos Etados Unidos. Por fim, os principais órgãos financeiros internacionais, como o Banco Mundial, o FMI e a comunidade financeira internacional não mostraram nenhum sobressalto com sua eleição, tendo em vista suas declarações até o momento. Este capital político, contudo deve ser, em nosso entender, imediatamente utilizado pelo novo governo para enfrentar os principais problemas econômicos do país tanto no curto como no longo prazo.

Do ponto de vista econômico, o governo terá que enfrentar significativos desafios e mudanças estruturais para voltar a crescer e atrair novos investimentos. Segundo a Heridage Foudation, o Brasil se encontra atualmente na 72° posição em termos de liberdade econômica num total de 156 países. Para que o país volte a crescer e atrair novos investimentos é necessário que exista liberdade econômica, preços estáveis e respeito aos direitos e propriedade e contratos livremente firmados. Entre mudanças mais prementes e esperadas estão a da previdência social e a tributária. Estas reformas, além e permitirem ao governo obter um superávit primário consistente ao longo do tempo criam um ambiente de credibilidade externa e abrem espaço para gastos na área social onde são realmente necessários, tais como educação e saúde. A definição destas duas reformas como prioritárias, longo no inicio do governo iria ajudar a reduzir o “risco Brasil”e aumentar o fluxo de investimentos externos. Um outro aspecto importante no novo governo é o simplificar o sistema tributário e o de realizar um reforma do sistema judiciário que o torne rápido e suas decisões consistente a fim de que os contratos firmados possam ser compridos e respeitados. Além disso, o governo, logo no seu inicio deve tornar e inequívoca sua intenção comprometimento com a austeridade fiscal e a manutenção das metas inflacionários. Caso isto não ocorra, as perspectivas para a retomada do crescimento serão muito pequenas e amargaremos mais um período de estagnação.

Prof. Economia – UFRGS

 

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