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Perspectiva Econômica
Brasileira para 2003 com o Novo Quadro Político.
*Roberto Camps Moraes
Qualquer
exercício de projeção econômica
para o ano 2003 deve ser mais cauteloso do que aqueles realizados
em anos anteriores, tantas são as incertezas externas
e internas. As probabilidades que ponderam os cenários
mais e menos otimistas mudaram para pior, assim como o grau
de confiança nas mesmas. No plano externo há
o perigo de que um conflito armado no Oriente Médio
possa gerar interrupções sérias nos fluxos
abastecimento de petróleo e que o seu preço
dispare, apesar do fato que as atuais exportações
do Iraque sejam pequenas em relação à
oferta mundial. Além disto, as repercussões
políticas e econômicas de um possível
conflito podem enfraquecer mais ainda a recuperação
econômica em curso nos EUA que sucede à recessão
de 2001. Mais grave ainda é que, embora as políticas
monetária e fiscal americanas estejam acionadas fortemente
na direção expansionista, o seu potencial de
uso está perigosamente perto de um nível de
exaustão, com a taxa de juros de 1,25 % a.a. e um déficit
fiscal crescente. A economia japonesa permanece em estado
de estagnação e com problemas estruturais que
impedem a retomada do crescimento. A economia européia
está desacelerando e não há perspectiva
de uma reversão a curto prazo. O único elemento
positivo na economia mundial, do ponto de vista conjuntural,
é a retomada do crescimento das economias asiáticas
e a continuidade do crescimento chinês.
No plano interno, o novo governo brasileiro contará
com um colchão poderoso de 23 bilhões de dólares
provenientes do FMI para a sua fase inicial. Mas qualquer
sinal de ruptura com o comprometimento assumido com as metas
fiscais e monetárias do acordo podem precipitar um
aprofundamento da crise de confiança e uma situação
de insolvência imediata. Neste aspecto a economia brasileira
está no fio da navalha. O lado positivo é que
a arquitetura monetária e cambial já instalada
é muito apropriada para manter a economia numa trajetória
de recuperação pelas exportações,
consistente com a redução da dependência
de capitais externos. Esta trajetória é, atualmente,
a única viável para comandar o crescimento,
dado que a redução significativa da preferência
pelo risco nos fluxos de capital continuará se fazer
sentir no médio prazo. No entanto, por mais que o novo
governo mantenha os seus compromissos mantendo e cumprindo
as referidas metas e, quem sabe, institucionalizando a independência
do Banco Central e apontando um presidente do mesmo que tenha
uma boa reputação os resultados, em termos
de crescimento econômico, não serão espetaculares.
Isto porque o crescimento das exportações será
limitado pelo crescimento anêmico provável da
demanda mundial e só se manterá se, como até
agora, a situação cambial se consolidar, ratificando
uma desvalorização real pronunciada. Uma volta
da inflação poderia por tudo a perder. A perspectiva
de um choque positivo a curto prazo proveniente de um aumento
de comércio internacional pelo maior acesso a mercados
externos via Alca e/ou Mercosul e/ou União Européia
parece distante, diante das tendências protecionistas
recentes. Resta portanto, torcer para que o novo governo seja
pragmático, cauteloso e inteligente, preservando a
janela de crescimento que o país tem a sua disposição
como exportador e importador global de mercadorias e serviços.
*Professor Titular da UFRGS
 
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