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OS SISTEMAS TOTALITÁRIOS
*Antônio Paim
Os sistemas totalitários surgiram no século
XX, primeiro na Rússia, com a chegada dos comunistas
ao poder, após a Primeira Guerra Mundial. Nas décadas
de trinta e quarenta, os nazistas introduziram sistema análogo
na Alemanha, liquidando com a derrota na Segunda Guerra. O
totalitarismo sobreviveu na Rússia até fins
da década de oitenta. Constituindo uma novidade, sua
perfeita caracterização provocou acirrados debates.
Na extensa bibliografia que dali resultou, a solução
teórica do problema seria devida a Hanah Arendt (1906/1975)
no livro Totalitarismo, o paroxismo do poder
(tradução brasileira, Ed. Documentário,
1979), parte de uma trilogia que mereceu o título geral
de Origens do totalitarismo.
Hanah Arendt louvou-se dos chamados “Cadernos de Smolenski”,
assim denominados os documentos que os alemães confiscaram
naquela cidade russa, onde os dirigentes comunistas anotaram
todas as iniciativas desde que chegaram ao poder em 1917.
O relato abrangia aproximadamente vinte anos. Estudando-o
detidamente, a autoria verificou que a polícia prendia
sistematicamente todas as pessoas que, de uma forma ou de
outra, revelavam alguma capacidade de liderança e formulavam
essa ou aquela reivindicação. Em seguida não
tomavam qualquer iniciativa. Esse silêncio aterrador,
aplicado metodicamente, intimidava as pessoas que estavam
mais próximas da vítima. Espontaneamente acabavam
apresentando-se à polícia, antecipando-se à
provável acusação de que estaria colaborando
com um inimigo do regime. A partir de tal investigação,
Arendt identificou como o traço essencial do totalitarismo
à capacidade de quebra a solidariedade entre
as pessoas, tranformando-as em massa amorfa.
O inexplicável no novo sistema que passou a ser denominado
de totalitarismo consistia precisamente no fato de que, sendo
notoriamente regime policialesco, onde vingou mobilizava a
população em seu favor. Os totalitarismos exibiram
sempre gigantescas demonstrações de massa. A
chave da questão foi encontrada por Arendt: a prática
do sistema convencia a população que não
se podia confiar em ninguém. O fato de que a queda
do regime soviético se haja iniciado por um movimento
chamado Solidariedade, surgido num país
satélite, a Polônia, veio confirmar a pertinência
da tese.
Permanece em aberto a questão de saber-se como sair
do totalitarismo. Louvando-se do que ocorrera na
Alemanha e em face da solidez representada pelo totalitarismo
russo, Arendt supunha que somente poderia extinguir-se pela
força. A derrocada do comunismo de forma pacífica
não encerrou a discussão em face da sobrevivência
de sistemas idênticos, a exemplo de Cuba.
O totalitarismo substitui o sistema representativo de governo
por uma outra modalidade denominada de cooptativo. A elite
do poder é selecionada por cooptação
efetivada de cima para baixo.
Filósofo e Escritor


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