|
Editorial
Prezados Leitores da Revista Leader Digital !!!
A violência e a criminalidade, problemas crônicos
existentes no Brasil e no mundo, têm ocupado grande
parcela dos espaços na mídia, mormente face
ao passado recente americano e a iminência de um conflito
de grandes proporções envolvendo os EUA, o Iraque
e seus aliados, sem olvidar, é claro, da crise de segurança
e crescimento da violência pelo qual passa o Brasil
e os Estados Brasileiros, dentre eles, o Rio Grande do Sul.
Inúmeros são os aspectos que clamam por um
aprofundado estudo no que tange a essas duas questões.
Entretanto, na presente edição da Revista Leader,
nos restringiremos à análise da "Economia
do Crime" ou "Teoria Econômica da Criminalidade",
corrente do pensamento econômico abordada por renomados
economistas, dentre eles, Gary Becker em "The Economics
os Crime". Uma primeira indagação que surge
ao analisarmos esse tema é: "Por que a atividade
criminosa tem crescido tanto nos últimos anos, assim
como todo aparato que lhe dá sustentação?".
Essa é uma pergunta que, sem dúvida alguma,
intriga milhões de pessoas ao redor do mundo, mas que
possui explicações cientificamente embasadas
e que vêm sendo estudadas de forma responsável
por representantes de inúmeros países, dentre
eles o Brasil.
Uma primeira questão a ser abordada, no contexto dessa
linha de estudo, é a de que aquele indivíduo
que comete um crime, pratica um ato racional, isto é,
o criminoso ao decidir-se pela prática de uma determinada
atividade ilegal, ponderou os benefícios que a prática
delituosa lhe trará frente aos custos dessa ação.
Segundo as palavras de Giácomo Balbinotto Neto, Professor
de Economia da UFRGS, "o argumento básico da abordagem
econômica do crime é que os infratores reagem
aos incentivos, tanto positivos como negativos...". Como
benefícios ponderados pelo criminoso existirão
a vantagem financeira auferida com a prática do delito
e o número de horas despendida para tanto, enquanto
que, como custos, serão sopesadas a probabilidade de
prisão, a probabilidade de ser julgado e condenado
e a severidade da pena.
Os argumentos acima expostos nos levam a uma primeira e fundamental
conclusão, mas não única: enquanto os
"custos" identificados pelos criminosos forem menores
do que os benefícios visualizados, continuaremos assistindo
o aumento vertiginoso da violência e da criminalidade.
Inúmeras outras variáveis devem ser acrescidas
a esse debate, a exemplo do "custo social" da atividade
criminosa, variável essa que será, igualmente,
identificada nos artigos da presente edição
da Revista Leader.
Por fim, concluo utilizando-me das palavras de Geraldo Brenner,
também Professor de Economia da UFRGS: "A conclusão
de que o crime não deve compensar é uma solução
ótima que deve ser perseguida, para a própria
viabilidade da sociedade, visando o bem estar e a própria
educação do povo para respeitar as leis ou mudá-las
legalmente, se forem inadequadas".
Tenham todos uma proveitosa leitura !!!
Atenciosamente,
Felipe Pozzebon
Presidente do IEE
 
|