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Edição Nº 35 - 26 de fevereiro de 2003
Palavra do Presidente

Editorial

Prezados Leitores da Revista Leader Digital !!!

A violência e a criminalidade, problemas crônicos existentes no Brasil e no mundo, têm ocupado grande parcela dos espaços na mídia, mormente face ao passado recente americano e a iminência de um conflito de grandes proporções envolvendo os EUA, o Iraque e seus aliados, sem olvidar, é claro, da crise de segurança e crescimento da violência pelo qual passa o Brasil e os Estados Brasileiros, dentre eles, o Rio Grande do Sul.

Inúmeros são os aspectos que clamam por um aprofundado estudo no que tange a essas duas questões. Entretanto, na presente edição da Revista Leader, nos restringiremos à análise da "Economia do Crime" ou "Teoria Econômica da Criminalidade", corrente do pensamento econômico abordada por renomados economistas, dentre eles, Gary Becker em "The Economics os Crime". Uma primeira indagação que surge ao analisarmos esse tema é: "Por que a atividade criminosa tem crescido tanto nos últimos anos, assim como todo aparato que lhe dá sustentação?". Essa é uma pergunta que, sem dúvida alguma, intriga milhões de pessoas ao redor do mundo, mas que possui explicações cientificamente embasadas e que vêm sendo estudadas de forma responsável por representantes de inúmeros países, dentre eles o Brasil.

Uma primeira questão a ser abordada, no contexto dessa linha de estudo, é a de que aquele indivíduo que comete um crime, pratica um ato racional, isto é, o criminoso ao decidir-se pela prática de uma determinada atividade ilegal, ponderou os benefícios que a prática delituosa lhe trará frente aos custos dessa ação. Segundo as palavras de Giácomo Balbinotto Neto, Professor de Economia da UFRGS, "o argumento básico da abordagem econômica do crime é que os infratores reagem aos incentivos, tanto positivos como negativos...". Como benefícios ponderados pelo criminoso existirão a vantagem financeira auferida com a prática do delito e o número de horas despendida para tanto, enquanto que, como custos, serão sopesadas a probabilidade de prisão, a probabilidade de ser julgado e condenado e a severidade da pena.

Os argumentos acima expostos nos levam a uma primeira e fundamental conclusão, mas não única: enquanto os "custos" identificados pelos criminosos forem menores do que os benefícios visualizados, continuaremos assistindo o aumento vertiginoso da violência e da criminalidade. Inúmeras outras variáveis devem ser acrescidas a esse debate, a exemplo do "custo social" da atividade criminosa, variável essa que será, igualmente, identificada nos artigos da presente edição da Revista Leader.

Por fim, concluo utilizando-me das palavras de Geraldo Brenner, também Professor de Economia da UFRGS: "A conclusão de que o crime não deve compensar é uma solução ótima que deve ser perseguida, para a própria viabilidade da sociedade, visando o bem estar e a própria educação do povo para respeitar as leis ou mudá-las legalmente, se forem inadequadas".

Tenham todos uma proveitosa leitura !!!

Atenciosamente,

Felipe Pozzebon
Presidente do IEE



 

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