VIOLÊNCIA
*Polibio Braga
A mídia apenas reflete o que acontece na sociedade. Isto vale
para qualquer campo de atividade.
É inegável que as coisas também não são tão simples assim.
Acontece que dependendo do tipo de mídia e dos seus interesses
(foco editorial), tudo que diga respeito ao tratamento informativo
sobre a violência, inclusive análises, terão tratamentos diferenciados.
Considerando-se este aspecto, é falacioso dizer-se que a mídia
incentiva ou deixa de incentivar a violência, combate ou deixa
de combater a violência - ou se omite totalmente.
Na média, a mídia defende os mesmos valores sociais dfefendidos
pelas pessoas e pelas instituições civilizadas. isto quer
dizer que o fulcro da atividade da mídia é defender o bem
e atacar o mal. É assim mesmo: uma postura bem dicotômica.
O que tem acontecido é que a mídia televisiva aberta brasileira
passou a adotar uma postura menos responsável no tratamento
das informações sobre a violência, porque embora também mantenha
a posição de defender o bem e atacar o mal, passou a dar-lhes
tratamento diferenciado. Isto se percebe em certos horários
e alguns apresentadores notoriamente fazem concessões a parcelas
atrasadas dos telespectadores. Nestes casos, a abordagem ganha
contornos escandalosos, os bandidos abrem espaços, a violência
banaliza-se e muitas vezes até vem embalada em forte charme.
A mídia de rádio é a mais "comportada".
Na mídia impressa, os veículos que estão mais perto do tratamento
dado pela TV são os jornais populares. No RS, o caso mais
emblemático é o do jornal Diário Gaúcho, da RBS, mas nem de
longe ele pode ser comparado a jornais verdadeiramente "populares"
de São Paulo e do Rio. As pessoas comuns costumam dizer que
este tipo de jornal verte sangue quando é amassado. O tratamento
que eles emprstam às informações é vulgar. Não é o caso do
Diário Gaúcho, que é uma midia verdadeiramente popular.
É claro que esta abordagem diz respeito apenas ao caso específico
das informações veiculadas na mídia sobre a violência.
O que deve preocupar verdadeiramente não são as informações
veiculadas sobre a violência, mas a abordagem que a sociedade
e a mídia fazem sobre os procedimentos das pessoas e da sociedade
em relação a ela, como são os casos da tolerância sobre todo
tipo de infração que ocorre no dia a dia. Também aqui, a mídia
mais reflete o que acontece, embora, novamente, a preferência
que concede na abordagem dos temas e o tratamento que dá a
eles em termos de horário de veiculação ou ordem de colocação
na mídia impressa.
Neste aspecto, a mídia é muito mais tolerante e licenciosa
do que a maioria das instituições da sociedade civilizada
e democrática. Infrações do tipo "consumo de drogas", "desmembramento
familiar", "pequenos assaltos" e coisas do gênero, não merecem
qualquer tipo de rejeição.
O resumo da ópera é a constatação de que a mídia, embora
reflita o que acontece, é também protagonista, como qualquer
outra pessoa, grupo ou instituição, registrando muita culpa
em cartório pelo que está acontecendo. E deve, por isto, fazer
séria auto-crítica sobre o papel que joga, procurando alterá-lo
em benefício de todos.
* Jornalista e escritor

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