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Edição Nº 37 - 6 de maio de 2003
Artigo
CIDADÃO E BANDIDO: CADA UM NO SEU LUGAR

*José Otávio Germano

A vida dos brasileiros nos últimos tempos, tem sido perturbada por um fenômeno novo: maior organização dos criminosos, que tem levado à sua crescente especialização, fruto dessa espécie de cooperativismo do mal, que permitiu a soma de recursos oriundos dos mais diversos ilícitos.

Com isso, o hoje chamado crime organizado dispõe de condições suficientes para aparelhar-se com o que há de mais moderno para a prática das suas atividades, e o que é mais grave: dispõe de um volume impressionante de valores, com os quais, vez por outra, tenta romper as fortalezas físicas e morais que devem ser preservadas, a qualquer custo nos poderes constituídos.

Quando recebi do governador Germano Rigotto o convite para assumir a Secretaria da Justiça e da Segurança preferi interpretá-lo como uma verdadeira convocação a qual não me seria dado o direito de recusar, sob pena de não poder olhar, no futuro, nos olhos dos meus familiares, dos meus amigos, e da sociedade gaúcha que me deu não apenas um, mas cerca de 180 mil votos de confiança ao indicar-me para uma cadeira na Câmara dos Deputados.

Troquei uma maior tranqüilidade parlamentar em Brasília para este enfrentamento que somente tem sido possível , em primeiro lugar,pela solidariedade permanente do governador, e ainda pela qualidade dos profissionais que encontrei nas polícias civil, militar no Instituto Geral de Perícias, na Superintendência dos Serviços Penitenciários e no DETRAN.

Percebi que havia uma baixa estima nestes profissionais, e o primeiro passo foi devolver-lhes a confiança de que são eles os especialistas do setor, e que o Secretário aqui está, não para atrapalhar a ação policial nas suas diversas modalidades, mas para coordenar a política de governo que passou a orientar o setor.
E hoje, passados poucos mais de cem dias de governo, todos os homens de polícia e das áreas técnicas da Secretaria sabem que a palavra-chave que vigora neste trabalho é a liberdade.

Liberdade para pensar, inclusive política e ideologicamente. Mas esta liberdade existe para todos os servidores com apenas uma condição: a de que as convicções ideológicas e partidárias de cada um fique do lado de fora do seu local de trabalho e não interfira nas suas ações e decisões no campo funcional.

A proposta tem dado certo, e isso nos conforta bastante.
A nossa meta, reitero o que disse no Fórum da Liberdade, é restabelecer o sentimento individual e coletivo de que a lei deve e será cumprida neste Estado.
Precisamos, acima de tudo, restabelecer uma regra que chegou a ser confundida até bem pouco tempo, mostrando o bandido apenas como produto de um conjunto de injustiças sociais, sendo visto como vítima.

Respeitamos e compreendemos os problemas sociais. Seremos sempre parceiros em programas de integração com as comunidades. Mas, é preciso que fique bem claro que a nossa prioridade é garantir segurança para a sociedade.
É para isso que estamos aqui.

* Deputado Federal, Secretário da Justiça e da Segurança (RS)


 

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