CIDADÃO
E BANDIDO: CADA UM NO SEU LUGAR
*José Otávio Germano
A
vida dos brasileiros nos últimos tempos, tem sido perturbada
por um fenômeno novo: maior organização
dos criminosos, que tem levado à sua crescente especialização,
fruto dessa espécie de cooperativismo do mal, que permitiu
a soma de recursos oriundos dos mais diversos ilícitos.
Com isso, o hoje chamado crime organizado dispõe de
condições suficientes para aparelhar-se com
o que há de mais moderno para a prática das
suas atividades, e o que é mais grave: dispõe
de um volume impressionante de valores, com os quais, vez
por outra, tenta romper as fortalezas físicas e morais
que devem ser preservadas, a qualquer custo nos poderes constituídos.
Quando recebi do governador Germano Rigotto o convite para
assumir a Secretaria da Justiça e da Segurança
preferi interpretá-lo como uma verdadeira convocação
a qual não me seria dado o direito de recusar, sob
pena de não poder olhar, no futuro, nos olhos dos meus
familiares, dos meus amigos, e da sociedade gaúcha
que me deu não apenas um, mas cerca de 180 mil votos
de confiança ao indicar-me para uma cadeira na Câmara
dos Deputados.
Troquei uma maior tranqüilidade parlamentar em Brasília
para este enfrentamento que somente tem sido possível
, em primeiro lugar,pela solidariedade permanente do governador,
e ainda pela qualidade dos profissionais que encontrei nas
polícias civil, militar no Instituto Geral de Perícias,
na Superintendência dos Serviços Penitenciários
e no DETRAN.
Percebi que havia uma baixa estima nestes profissionais,
e o primeiro passo foi devolver-lhes a confiança de
que são eles os especialistas do setor, e que o Secretário
aqui está, não para atrapalhar a ação
policial nas suas diversas modalidades, mas para coordenar
a política de governo que passou a orientar o setor.
E hoje, passados poucos mais de cem dias de governo, todos
os homens de polícia e das áreas técnicas
da Secretaria sabem que a palavra-chave que vigora neste trabalho
é a liberdade.
Liberdade para pensar, inclusive política e ideologicamente.
Mas esta liberdade existe para todos os servidores com apenas
uma condição: a de que as convicções
ideológicas e partidárias de cada um fique do
lado de fora do seu local de trabalho e não interfira
nas suas ações e decisões no campo funcional.
A proposta tem dado certo, e isso nos conforta bastante.
A nossa meta, reitero o que disse no Fórum da Liberdade,
é restabelecer o sentimento individual e coletivo de
que a lei deve e será cumprida neste Estado.
Precisamos, acima de tudo, restabelecer uma regra que chegou
a ser confundida até bem pouco tempo, mostrando o bandido
apenas como produto de um conjunto de injustiças sociais,
sendo visto como vítima.
Respeitamos e compreendemos os problemas sociais. Seremos
sempre parceiros em programas de integração
com as comunidades. Mas, é preciso que fique bem claro
que a nossa prioridade é garantir segurança
para a sociedade.
É para isso que estamos aqui.
* Deputado Federal, Secretário
da Justiça e da Segurança (RS)

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