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Edição Nº 37 - 6 de maio de 2003
Artigo
OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO PODEM SER PARCEIROS NA LUTA CONTRA QUALQUER TIPO DE VIOLÊNCIA

*Karen Horn

Os meios de comunicação têm um papel importante na luta contra a violência. De modo geral, sua principal tarefa é investigar a fim de se aproximar da verdade e tentar explicar o mundo em termos inteligíveis. No contexto específico da violência, eles podem ajudar a aumentar a conscientização pública sobre onde surge a violência, que forma ela assume, quem são os perpetradores, porque eles fazem o que fazem, quem toma medidas contra ela, se estas medidas são adequadas ou não, etc., seja a guerra, terrorismo, crime organizado ou problemas de segurança pública como roubos e assaltos. Os meios de comunicação têm a tarefa de buscar o valor agregado na informação e explicações. Sua função está relacionada a estimular o conhecimento, indo abaixo da superfície das coisas, atingindo um grau mais elevado de objetividade, abrindo as portas para a racionalidade. Freqüentemente, contudo, informação precisa não parece ser o que os meios de comunicação estão, de fato, produzindo, mas entretenimento, algo parecido com o puro sensacionalismo. E isto pode ser perigoso: os meios de comunicação proporcionam um fórum à violência.

À medida que as pessoas se deparam com a violência nos meios de comunicação todos os dias, elas acabam se acostumando a ela e ao invés de querer lutar contra ela, acabam se divertindo ao ver cada vez mais violência na TV e nos jornais, protegidas pelo artefato utilizado para compartilhar a experiência, sem fazer parte dela. Há uma espécie de voyeurismo quando vemos policiais norte-americanos, por exemplo, perseguindo criminosos em rodovias públicas e finalmente subjugando-os, às vezes até mesmo matando-os. Estudos psicológicos nos dizem que imagens desta natureza baixam as barreiras contra a violência. Por exemplo, um crime terrível aconteceu em uma escola alemã não há muito tempo. Um jovem, com cerca de 16 ou 17 anos, expulso da escola pouco antes da formatura, conseguiu uma arma e atirou em 20 colegas e professores. De onde este rapaz teve a idéia de cometer um ato tão horrendo? Ele deve ter visto isto em algum lugar, provavelmente na televisão.

Ao criar hábitos, o sensacionalismo pode ter conseqüências extremamente perniciosas para a sociedade. Mas não há muito a ser feito, pelo menos não através de leis. O controle autoritário não é a solução. Precisamos nos lembrar de que os produtores dos meios de comunicação constituem apenas o lado da oferta em um mercado; as pessoas que lêem os jornais ou assistem a TV constituem o lado da procura. E se as pessoas desejam sensacionalismo? E se as pessoas se divertem assistindo a violência à distância? Em um mercado funcional, o lado da oferta reagirá, as preferências dos consumidores serão respeitadas e as pessoas receberão aquilo que estão pedindo. Se elas não querem informações sérias e de respeito, cobertura moralmente prudente, a falha é delas, não dos jornalistas.

Para os meios de comunicação, contudo, o desafio ético continua. O desafio de verificar ativamente se apesar da inegável popularidade do jornalismo sensacionalista, algumas pessoas e talvez um número crescente de indivíduos também aprecia o oposto. Há, de fato, um mercado para o “bom lado” do jornalismo. Os meios de comunicação não deveriam ceder prematuramente e correr atrás do que acreditam ser as preferências do consumidor ou a “opinião pública”. Não existe uma opinião pública geral. A opinião é algo totalmente individual, que evolui e que só pode ser descoberta no momento. A expressão “opinião pública” parece retrógrada ou pretensiosa, servindo de desculpa para uma falta de imaginação. Ao invés disso, os meios de comunicação deveriam se esforçar para oferecer mais substância. E as pessoas realmente estão ávidas por boas informações. É muito encorajador constatar isto especialmente em países onde a liberdade de imprensa é limitada. Em situações de particular dificuldade, o jornalismo freqüentemente viceja. Os meios de comunicação podem ser um parceiro na luta contra a violência, até mesmo contra a violência do estado. Trata-se de algo que jamais deveríamos esquecer.

* Jornalista Alemã


 

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