OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO PODEM SER PARCEIROS NA LUTA CONTRA QUALQUER TIPO DE VIOLÊNCIA
*Karen Horn
Os meios de comunicação têm
um papel importante na luta contra a violência. De modo
geral, sua principal tarefa é investigar a fim de se
aproximar da verdade e tentar explicar o mundo em termos inteligíveis.
No contexto específico da violência, eles podem
ajudar a aumentar a conscientização pública
sobre onde surge a violência, que forma ela assume,
quem são os perpetradores, porque eles fazem o que
fazem, quem toma medidas contra ela, se estas medidas são
adequadas ou não, etc., seja a guerra, terrorismo,
crime organizado ou problemas de segurança pública
como roubos e assaltos. Os meios de comunicação
têm a tarefa de buscar o valor agregado na informação
e explicações. Sua função está
relacionada a estimular o conhecimento, indo abaixo da superfície
das coisas, atingindo um grau mais elevado de objetividade,
abrindo as portas para a racionalidade. Freqüentemente,
contudo, informação precisa não parece
ser o que os meios de comunicação estão,
de fato, produzindo, mas entretenimento, algo parecido com
o puro sensacionalismo. E isto pode ser perigoso: os meios
de comunicação proporcionam um fórum
à violência.
À medida que as pessoas se deparam com a violência
nos meios de comunicação todos os dias, elas
acabam se acostumando a ela e ao invés de querer lutar
contra ela, acabam se divertindo ao ver cada vez mais violência
na TV e nos jornais, protegidas pelo artefato utilizado para
compartilhar a experiência, sem fazer parte dela. Há
uma espécie de voyeurismo quando vemos policiais norte-americanos,
por exemplo, perseguindo criminosos em rodovias públicas
e finalmente subjugando-os, às vezes até mesmo
matando-os. Estudos psicológicos nos dizem que imagens
desta natureza baixam as barreiras contra a violência.
Por exemplo, um crime terrível aconteceu em uma escola
alemã não há muito tempo. Um jovem, com
cerca de 16 ou 17 anos, expulso da escola pouco antes da formatura,
conseguiu uma arma e atirou em 20 colegas e professores. De
onde este rapaz teve a idéia de cometer um ato tão
horrendo? Ele deve ter visto isto em algum lugar, provavelmente
na televisão.
Ao criar hábitos, o sensacionalismo pode ter conseqüências
extremamente perniciosas para a sociedade. Mas não
há muito a ser feito, pelo menos não através
de leis. O controle autoritário não é
a solução. Precisamos nos lembrar de que os
produtores dos meios de comunicação constituem
apenas o lado da oferta em um mercado; as pessoas que lêem
os jornais ou assistem a TV constituem o lado da procura.
E se as pessoas desejam sensacionalismo? E se as pessoas se
divertem assistindo a violência à distância?
Em um mercado funcional, o lado da oferta reagirá,
as preferências dos consumidores serão respeitadas
e as pessoas receberão aquilo que estão pedindo.
Se elas não querem informações sérias
e de respeito, cobertura moralmente prudente, a falha é
delas, não dos jornalistas.
Para os meios de comunicação, contudo, o desafio
ético continua. O desafio de verificar ativamente se
apesar da inegável popularidade do jornalismo sensacionalista,
algumas pessoas e talvez um número crescente de indivíduos
também aprecia o oposto. Há, de fato, um mercado
para o “bom lado” do jornalismo. Os meios de comunicação
não deveriam ceder prematuramente e correr atrás
do que acreditam ser as preferências do consumidor ou
a “opinião pública”. Não
existe uma opinião pública geral. A opinião
é algo totalmente individual, que evolui e que só
pode ser descoberta no momento. A expressão “opinião
pública” parece retrógrada ou pretensiosa,
servindo de desculpa para uma falta de imaginação.
Ao invés disso, os meios de comunicação
deveriam se esforçar para oferecer mais substância.
E as pessoas realmente estão ávidas por boas
informações. É muito encorajador constatar
isto especialmente em países onde a liberdade de imprensa
é limitada. Em situações de particular
dificuldade, o jornalismo freqüentemente viceja. Os meios
de comunicação podem ser um parceiro na luta
contra a violência, até mesmo contra a violência
do estado. Trata-se de algo que jamais deveríamos esquecer.
* Jornalista Alemã

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