A VIOLENCIA URBANA NO BRASIL, QUE FAZER ?
*Ubiratan de Macedo
Na
atual conjuntura pouco importa discutir as causas da nossa
violência urbana, se é responsabilidade de alguns
governos. Ou o é da transição de regime
autoritário para o democrático, com afrouxamento
pouco criterioso de controles fundamentais a pretexto de direitos
humanos. Ou se seria ainda um ciclo estrutural de violência
urbana que afeta toda a civilização ocidental,
com um pequeno recuo nos Estados Unidos, ainda não
se sabe se efêmero ou prenuncio de mudança de
ciclo. O fato é de que a violência se apresenta
sob um aspecto inédito, não há apenas
criminosos isolados praticando atos ilegais e imorais, mas
criminosos atacando a policia em uma farsa de guerrilha urbana,
sem esperar lucros de tais ações como seria
normal em um criminoso comum. E não só a policia,
corporação que reprime os criminosos, mas prédios
e símbolos do poder do estado são também
atacados, de novo numa farsa de tentativa de quebrar o Estado.
Chegamos a um estágio de violência endêmica,
igual à da Colômbia, ainda que por enquanto restrito
a alguns pontos do país. Que fazer? Alguma propostas
são de se afastar pelo efeito demorado, como por exemplo
atacar as causas sociais da violências, ou reformar
nossa legislação penal. Ainda que se deva fazer
isto pari passu, de imediato cumpre observar que medidas de
prevenção e repressão defenderiam a população
e poupariam preciosas vidas.
O Brasil é um insólito país no nosso
mundo, enquanto em todos os países do mundo o poder
central( governo central ou a união federal) assume
a maior parte dos custos da segurança pública
e mantém as policias especializadas em âmbito
nacional, junto com cadastros eletrônicos de procurados
e condenados.(Como nos Estados Unidos, Espanha, França)
E as administrações subordinadas, estaduais
ou provinciais e as municipais mantém a policia ostensiva
e preventiva. No Brasil, numa época em que o crime
não é apenas nacional mas também internacional,
a segurança pública é exercida por 27
policias estaduais mais uma pequena federal, sem coordenação
e com recursos escassos em equipamento, efetivos e treinamento
específico. Estas 27 policias estaduais dividem-se
em militar e judiciária ou civil também sem
muita coordenação, e integração.
De pronto no Brasil é necessário a União
assumir sua responsabilidade na segurança pública,
cuidando das fronteiras para evitar a entrada de armas e drogas,
e policiando o transito interestadual e centralizando as informações
especificas. De centralizado só existe o cadastro de
viaturas o Renavam, com funcionamento ainda insuficiente.
Como a União fará isto é um algo a ser
definido. Aumento do efetivo da Policia Federal, com um contingente
fardado para as fronteiras, ou a criação de
uma Guarda Nacional para isto são propostas que estão
para debate.
A outorga de poder de policia às guardas municipais
das grandes cidades é outra solução imediata.
Em todo o mundo a policia ostensiva é municipal nas
grandes cidades(ex. New York, Paris, Madrid). Não se
alegue que isso seria difícil para as cidades, se o
Amapá e Roraima, Sergipe e Alagoas, mantém policia
porque não as capitais dos estados do Sul e Sudeste
com maior arrecadação ? E o absurdo maior vigente
é o de por lei as guardas municipais não serem
armadas, quando qualquer empresa pode manter seguranças
armadas mas o município do Rio ou Belo Horizonte, ou
Salvador. (A de S.Paulo é uma exceção
) não.
Por outro lado é preciso ajustar a policia civil ou
judiciária a suas funções investigação,
formação de processo sob as ordens do judiciário.
No Brasil a instauração da república
criou policias civis, desvinculadas do judiciário e
sob controle político dos governos estaduais. Em todos
países civilizados a policia judiciária é
controlado ou pela Ministério Publico(solução
americana) ou por um juiz de instrução( solução
européia) o que dá validade jurídico
aos inquéritos policiais evitando sua repetição
perante o judiciário anos mais tarde, com esquecimento
e ameaças às testemunhas e enorme perda de tempo.
As soluções podem ser várias, ou a americana,
ou a européia, ou dar-se poderes especiais para os
delegados de carreira para a validade definitiva do inquérito.
Mas o fundamental parece ser o amplo treinamento para nossas
policias civis para adequá-las às funções
policiais. O mesmo parece ser necessário para as policias
militares, seu treinamento militar e de luta anti-guerrilha
é precioso mas deveria ser restrita a algumas unidades.
As unidades em serviço policial urbano deveriam usar
outro uniforme e equipamento adequado as suas funções.
As propostas de reforma do judiciário são boas,
diminuição de recursos, nova lei de contravenções
penais, melhor execução penal, adequar a lei
dos menores às novas realidade da precoce maturidade
e ampla utilização pelo crime organizado da
impunidade dos menores para a eles atribuir as execuções,
além mais presídios( fenômeno mundial
e não apenas brasileiro). Há um espaço
enorme no Brasil para a privatização de vários
funções hoje atribuídas ao poder público
sobretudo na manutenção e administração
de presídios. Embora se deva resguardar o caráter
público da segurança por ser um bem a fornecidos
a todos sem exceção e de que carecem sobretudo
os mais pobres .
Mas há algo positivo, a inquietação
e a problematização do problema do crime, representa
um despertar da consciência nacional que permitirá
o equacionamento e solução do problema.
*Professor de Direito da Univ.Gama Filho

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