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Editorial
Discurso de Abertura do XVI Fórum da Liberdade
– Resumo
Felipe Dreyer de Avila Pozzebon – Presidente do Instituto
de Estudos Empresariais (IEE)
O XVI Fórum da Liberdade, aberto com o discurso do
Presidente do Instituto de Estudos Empresariais, teve como
tema “Civilização ou Barbárie:
em que mundo vamos viver?”, e se propôs a discutir
a questão da segurança e das diversas formas
de manifestação da violência no Estado
do RS, no Brasil e no mundo. Essa discussão, como tradicionalmente
ocorre no Fórum da Liberdade, foi realizada através
de um debate aberto, franco e sem preconceitos, preocupado
com o avanço dos direitos e garantias individuais,
e apto a propiciar que seus participantes, a partir desse
debate, sejam capazes de formular seus próprios conceitos
e elaborar suas próprias conclusões.
Iniciando a abordagem dos diversos aspectos relacionados
ao tema do evento, foi destacado que a população
mundial, em sua quase totalidade, espera uma solução
pacífica e negociada para os muitas vezes distantes
interesses que separam as nações. Almeja-se
que prevaleça entre os povos o diálogo e a tolerância,
sem abrir mão do bem maior de qualquer nação:
a liberdade. Inobstante, em muitos casos, ao invés
da “negociação”, que caracteriza
as sociedades civilizadas e democráticas, continua-se
lançando mão de conflitos armados e do terrorismo,
atitudes que mais aproximam os homens da irracionalidade dos
animais. Todos os países envolvidos num cenário
de confronto terão grandes baixas a serem registradas,
sejam elas econômicas, políticas ou sociais,
sendo a mais relevante delas, a vida.
Foi ressaltado pelo Presidente do IEE, entre outros aspectos,
o problemático e complexo cenário brasileiro
no tocante à violência. Sendo um problema transdisciplinar,
em sua origem encontram-se causas econômicas, políticas
e sociais, sendo que aqueles que procurarem a origem desse
problema em apenas uma dessas nascentes, certamente estará
fadado a muito pouco fazer para seu eficaz enfrentamento.
No Brasil, vive-se um estado de guerra não declarada,
tendo de um lado a população amedrontada com
a escalada da violência e refém de sua própria
insegurança e, de outro, os criminosos militarmente
organizados e regiamente armados, beneficiando-se das limitações
estatais na área da segurança, traduzidas nas
dificuldades do poder público em frear esse movimento
ascendente. No que diz respeito ao terrorismo, já se
tem a versão brasileira. Se assim não for, como
chamar a ação do crime organizado que, sob o
império do medo, ordena toques de recolher a bairros
inteiros e afronta os poderes constituídos? Como chamar
a ação do crime organizado que, atentando aos
princípios democráticos, está matando
integrantes do Poder Judiciário? O resultado desses
fenômenos tem a população brasileira como
vítima, pagando com sua liberdade e sua vida a conta
pelas limitações estatais na área da
segurança.
Das autoridades públicas espera-se respostas operativas
e urgentes. O Brasil necessita, imediatamente, de uma nova
proposta de segurança pública, condizente com
o atual estágio de desenvolvimento e organização
da violência e criminalidade. A atividade criminosa
não deve mais ser visualizada como uma atitude irracional.
Ao contrário, o criminoso, cada vez mais, é
levado a agir por um impulso de racionalidade, no qual são
ponderados: os benefícios advindos da prática
criminosa, bem como a probabilidade de ser capturado, condenado
e cumprir a pena imposta. O baixo número de delinqüentes
capturados, assim como a pequena parcela deles que, efetivamente,
cumpre as sanções impostas pelo Poder Judiciário,
em obediência às normas da Lei de Execução
Penal, alimentam o fácil e rentável caminho
da criminalidade. Dessa forma, desejando o Governo desincentivar
a atividade criminosa, deverá torná-la cada
vez mais custosa e menos rentável.
Ao Estado e a cada setor da sociedade cabe uma importante
parcela de contribuição, sendo o somatório
de todos esses esforços a única alternativa
realmente viável para combater, de forma eficaz, os
problemas que, nesse momento, afligem a humanidade.
A grave crise pela qual o Brasil passa na área da
segurança, asseverou o Presidente do IEE, está
a exigir uma maior integração entre União
e Estados. Entretanto, o aumento da violência e a quantidade
de vidas perdidas não permitem espera. A sociedade
necessita de ações imediatas e de resultados
práticos, capazes de lhes devolver a segurança
perdida ao longo dos anos, sendo citado como exemplo desse
trabalho conjunto, a implantação da Agência
Regional da Secretaria Nacional de Segurança Pública,
colocando o Estado do RS na vanguarda das ações
de prevenção e combate à criminalidade.
Por mais incongruente que possa parecer, a pesada carga tributária
suportada pelo cidadão brasileiro não lhe garante,
em contrapartida, segurança com a efetividade necessária,
dever básico de qualquer Estado civilizado.
Por fim, o Presidente do Instituto de Estudos Empresariais
destacou a necessidade de ser devolvido à sociedade
gaúcha o seu mais caro e estimado patrimônio:
a liberdade. Ressaltou, veementemente, que o Rio Grande do
Sul jamais será um Estado produtivo, que percorra o
caminho do desenvolvimento, se não tiver segurança,
se a violência não for definitivamente combatida,
se as propriedades não forem respeitadas e se as liberdades
individuais não forem garantidas.

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