AMBIENTE CULTURAL PARA O DESENVOLVIMENTO
*Paulo G. M. de Moura
Do
ponto de vista estritamente econômico, tende-se a buscar
em fatores relacionados ao mercado e à infra-estrutura,
os ingredientes necessários ao desenvolvimento de uma
comunidade, região ou país. Até algum
tempo atrás, fatores com o potencial de compra do mercado
em que a empresa se instala, e o custo da mão-de-obra
e das matérias primas, eram os componentes vistos como
essenciais para a locação de um investimento.
Atualmente, a abundância e o preço da energia
fornecida por fontes variadas e renováveis; o acesso
a um sistema de transporte intermodal moderno e capaz ligar
o local com o mundo trazendo gente, matéria prima e
componentes e levando gente, componentes e produtos para qualquer
lugar; a disponibilidade de redes de comunicações
capazes de transportar dados, sons, imagens e texto em tempo
real conectando a empresa com seus clientes e fornecedores
em mercados de qualquer parte do planeta, além da qualificação
dos recursos humanos necessários à operação
de negócios de perfil pós-industrial, tornaram-se
os componentes estratégicos para a locação
de um investimento. Ou seja, quem pretenda pertencer ao circuito
da Fórmula Um da economia global, precisa ter ou providenciar
para ter esse fatores a oferecer aos investidores, caso contrário
colherá insucesso na tentativa de desenvolver seu negócio,
sua comunidade, sua região ou seu país.
Mas nem só de fatores estritamente econômicos
vive o planejamento estratégico dos investidores de
hoje. Fatores culturais têm pesado cada vez mais no
cálculo de quem pensa e decide para onde vão
os investimentos em busca do lucro na economia globalizada.
Fatores como a propensão ou não à corrupção
- indicador de maior ou menor tendência ao respeito
ou desrespeito às regras do jogo político e
econômico em determinadas sociedades -, por exemplo,
devem pesar na decisão de quem busca um destino para
seus investimentos.
A percepção que uma determinada comunidade ou
sociedade tem da riqueza como algo que se extrai, se explora
ou se subtrai dos outros ou da natureza, ou como algo que
se produz individual e socialmente e de forma integrada com
o meio ambiente, também deve pesar na decisão.
O fato de uma comunidade ou sociedade ser receptiva à
competição e ao investimento, vistos como geradores
de desenvolvimento, emprego e riqueza, por um lado, ou por
outro, se é refratária ao empreendedorismo,
percebendo o lucro como resultado da ganância de capitalistas
malvados que exploram os trabalhadores e não como recompensa
pelo risco do investimento, também deve pesar na balança
de decisões do investidor.
Finalmente, o conservadorismo e o apego a idéias ultrapassadas,
ou a receptividade e adaptabilidade de uma comunidade ou sociedade
à inovação e à mudança
constante, componente intrínseco è economia
pós-industrial, certamente também devem contribuir
para a decisão do investidor contemporâneo.
Educar o olhar para a percepção do ambiente
cultural para o qual se pretende direcionar um investimento
pode ser a diferença entre tornar-se vítima
de uma decisão errada, ou beneficiário de uma
decisão correta. Aliás, essa é uma verdade
que vale como critério, tanto para as decisões
econômicas sobre o destino dos nossos negócios,
como para as decisões individuais que tomamos ao escolher
o que vamos fazer de nossas vidas profissionais. E vale também,
para as decisões que tomamos como cidadãos,
ao escolhermos a quem vamos entregar a missão de comandar
os destinos de nossa comunidade, região ou país,
no momento em que somos chamados às urnas para escolher
nossos governantes.
*Mestre em Ciência Política (UFRGS); Doutorando em Comunicação Social (PUC-RS); professor do curso de Ciência Política da ULBRA (Universidade Luterana do Brasil).

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