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Edição Nº 40- 31 de julho de 2003
Artigo
AMBIENTE CULTURAL PARA O DESENVOLVIMENTO

*Paulo G. M. de Moura

Do ponto de vista estritamente econômico, tende-se a buscar em fatores relacionados ao mercado e à infra-estrutura, os ingredientes necessários ao desenvolvimento de uma comunidade, região ou país. Até algum tempo atrás, fatores com o potencial de compra do mercado em que a empresa se instala, e o custo da mão-de-obra e das matérias primas, eram os componentes vistos como essenciais para a locação de um investimento. Atualmente, a abundância e o preço da energia fornecida por fontes variadas e renováveis; o acesso a um sistema de transporte intermodal moderno e capaz ligar o local com o mundo trazendo gente, matéria prima e componentes e levando gente, componentes e produtos para qualquer lugar; a disponibilidade de redes de comunicações capazes de transportar dados, sons, imagens e texto em tempo real conectando a empresa com seus clientes e fornecedores em mercados de qualquer parte do planeta, além da qualificação dos recursos humanos necessários à operação de negócios de perfil pós-industrial, tornaram-se os componentes estratégicos para a locação de um investimento. Ou seja, quem pretenda pertencer ao circuito da Fórmula Um da economia global, precisa ter ou providenciar para ter esse fatores a oferecer aos investidores, caso contrário colherá insucesso na tentativa de desenvolver seu negócio, sua comunidade, sua região ou seu país.

Mas nem só de fatores estritamente econômicos vive o planejamento estratégico dos investidores de hoje. Fatores culturais têm pesado cada vez mais no cálculo de quem pensa e decide para onde vão os investimentos em busca do lucro na economia globalizada. Fatores como a propensão ou não à corrupção - indicador de maior ou menor tendência ao respeito ou desrespeito às regras do jogo político e econômico em determinadas sociedades -, por exemplo, devem pesar na decisão de quem busca um destino para seus investimentos.
A percepção que uma determinada comunidade ou sociedade tem da riqueza como algo que se extrai, se explora ou se subtrai dos outros ou da natureza, ou como algo que se produz individual e socialmente e de forma integrada com o meio ambiente, também deve pesar na decisão. O fato de uma comunidade ou sociedade ser receptiva à competição e ao investimento, vistos como geradores de desenvolvimento, emprego e riqueza, por um lado, ou por outro, se é refratária ao empreendedorismo, percebendo o lucro como resultado da ganância de capitalistas malvados que exploram os trabalhadores e não como recompensa pelo risco do investimento, também deve pesar na balança de decisões do investidor.

Finalmente, o conservadorismo e o apego a idéias ultrapassadas, ou a receptividade e adaptabilidade de uma comunidade ou sociedade à inovação e à mudança constante, componente intrínseco è economia pós-industrial, certamente também devem contribuir para a decisão do investidor contemporâneo.

Educar o olhar para a percepção do ambiente cultural para o qual se pretende direcionar um investimento pode ser a diferença entre tornar-se vítima de uma decisão errada, ou beneficiário de uma decisão correta. Aliás, essa é uma verdade que vale como critério, tanto para as decisões econômicas sobre o destino dos nossos negócios, como para as decisões individuais que tomamos ao escolher o que vamos fazer de nossas vidas profissionais. E vale também, para as decisões que tomamos como cidadãos, ao escolhermos a quem vamos entregar a missão de comandar os destinos de nossa comunidade, região ou país, no momento em que somos chamados às urnas para escolher nossos governantes.

*Mestre em Ciência Política (UFRGS); Doutorando em Comunicação Social (PUC-RS); professor do curso de Ciência Política da ULBRA (Universidade Luterana do Brasil).

 

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