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Edição Nº 42- 22 de setembro de 2003
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Ser empreendedor
*Leandro Gostisa
Empreender é criar. É promover um fórum, é abrir um negócio, inventar uma técnica ou melhorar uma obra. É fazer mais do que a rotina, é inovar, aumentar a produtividade, gerar riquezas. Para muitos, a realização de um sonho: o exercício da liberdade, a sensação de envolvimento que é propósito de vida; a chance de deixar um legado. Para outros, fonte de sobrevivência. De qualquer forma, é a pratica da mudança, o impulso ao progresso, que tanto reconhecimento merece.
Como qualquer iniciativa, requer, em qualquer lugar, um conjunto de variáveis que garantam seu sucesso. No Brasil, algo mais. O País está na 34a posição no oferecimento de condições favoráveis aos empreendedores, conforme pesquisa realizada pelo Projeto GEM (Global Entrepreneurship Monitor) publicada em 2002. Paga-se, praticamente, 40% de tudo o que se cria em impostos e, em retorno, serviços precários e insuficientes. Os juros são altíssimos. o País é campeão mundial de causas trabalhistas. As propriedades continuam sendo invadidas, o que gera instabilidade e desestimula a poupança, tão necessária para a prática. Não impressiona portanto, saber que mais de 10 mil empresas pediram falência nos primeiros 7 meses deste ano e que o volume de concordatas aumentou 17,5% na comparação com o mesmo período do ano anterior, de acordo com a Serasa.
Em última análise, entretanto, atribuir o insucesso tão somente a fatores externos, seria correr o risco de atribuir à sorte e não ao mérito, o sucesso de outro. Seria novamente duvidar da capacidade do indivíduo de contornar obstáculos e de transformar a realidade. Para ter sucesso e para que os empreendimentos sejam contínuos, alguns requisitos anteriores devem ser reconhecidos e considerados. É preciso dignidade, percepção e responsabilidade. Dignidade que é ter compromisso consigo próprio; é não ter vergonha e sim vontade de ter sucesso; percepção, que é compreender a realidade, as próprias virtudes e vulnerabilidades, e assumir o controle do comportamento. E finalmente, responsabilidade, que é o reconhecimento, pelo indivíduo, dos seus atos e, principalmente, erros, o que é condição básica para corrigir desvios e recomeçar tudo de novo. Juntos, esses se traduzem em coragem, competência, persistência e integridade, fundamentos básicos à prática.
E esse é um dos principais objetivos do Instituto de Estudos Empresariais (IEE) ao desenvolver, em parceria com a FIJO, o Fórum Universidade-Empresa: ao invés de apenas lamentar e condenar, apresentar sugestões e despertar a reflexão nos jovens em formação. Com estes encontros, o primeiro - já em sua V edição - realizado recentemente em Porto Alegre, e outros dois a serem desenvolvidos em Caxias do Sul e Santa Maria nos próximos dias, busca-se promover um amplo debate com a comunidade acadêmica sobre temas de profundo interesse dos estudantes, enaltecendo idéias sobre empreendedorismo, liderança, Estado de Direito e economia de mercado.
* Diretor do IEE

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