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Edição Nº 42- 22 de setembro de 2003
Palavra do Presidente

Discurso V Fórum Universidade Empresa

Boa noite,

Cumprimento as autoridades presentes, os senhores representantes de entidades, os senhores empresários, representantes da imprensa, o corpo docente e discente dessa universidade e a todos que nesta noite se fazem presentes no "V Fórum Universidade Empresa de Porto Alegre".

Agradeço a nossos ilustres palestrantes e mediador por sua atender a nosso convite, transmitindo a grande satisfação que o IEE e a FIJO tem de recebê-los aqui hoje. Aproveito a oportunidade para agradecer a equipe da Fundação Irmão José Otão e a meus colegas de diretoria no IEE por sua dedicação em empreender este projeto.

Este evento foi criado em 1999 com o fim de proporcionar aos estudantes universitários um contato mais próximo com o mercado de trabalho. Empresários, políticos, filósofos e escritores são alguns dos palestrantes que já estiveram neste teatro debatendo idéias para que todos nós possamos crescer como profissionais e cada um forme suas próprias conclusões sobre os assuntos tratados.

A situação pela qual passa nosso país, de recessão e estagnação, instiga os mais diversos setores da sociedade a realizar alguma ação. O instituto de estudos empresariais, compartilhando com a fundação irmão José Otão estas mesmas aflições, decidiu trazer sua contribuição através deste evento. Com o intuito de incentivar a todos os senhores aqui presentes a também fazerem a sua parte para construir um país melhor.

O empreendedor é uma peça fundamental neste processo, no entanto é de suma importância que se entenda que empreendedor não é somente aquele que abre seu próprio negócio. Nosso conceito de empreendedor é o de pessoas que tragam inovações, seja na esfera pública ou privada, seja no seu próprio negócio ou como executivo, seja como médico, dentista, publicitário, engenheiro ou advogado.

No dicionário a palavra empreendedor significa aquele que empreende; ativo; arrojado. E empreender é tentar, propor-se, deliberar-se, por em execução. E é exatamente isto que nosso país precisa hoje, de pessoas que inovem que arrisquem que busquem e ofereçam soluções. Como já foi dito aqui mesmo neste evento no ano passado, está na hora do estudante parar de se perguntar quem vai lhe dar emprego, e sim questionar quantos empregos poderá gerar quando deixar a universidade seja qual for a carreira que escolher. Assim, neste ano, trouxemos à discussão o tema: "o que todos deveriam saber sobre empreendedorismo".

Todos nascemos empreendedores. Todos somos levados desde pequenos a assumir riscos. a enfrentar desafios. Mas conforme vamos crescendo, seja por proteção daqueles que nos querem bem, ou mesmo por puro e simples comodismo vamos nos acostumando a uma rotina, vamos deixando de abrir novos caminhos e isso não pode acontecer.

Para agirmos como pessoas empreendedoras precisamos de quatro ações:

A primeira é sonhar: ter vontade de realizar algo, e visualizar o alcance de nossos objetivos. A segunda é inovar: buscar incessantemente melhorar, encontrar novos caminhos. A terceira é ousar: ter coragem de assumir riscos e fazer sacrifícios e também é fundamental perseverar, ter tenacidade, ter fogo, insistir até o fim, e, se não conseguir de um jeito, faça de outro, mas faça acontecer.

Seneca disse: "não há vento a favor para o homem que não sabe para que porto vai", o que mostra a importância do sonho, do objetivo. Mas Lars Grael disse uma outra frase: "para quem sabe para onde vai, até o vento contra leva ao lugar certo". E esta frase mostra a importância da coragem e da perseverança.

Segundo dados da GEM (Global Entrepreneurship Monitor) o Brasil tem 13,5% de sua população adulta envolvida em alguma atividade empreendedora, estando em sétimo lugar num ranking que considera as 37 maiores economias do mundo que compreende 2/3 da população e 92% do pib mundial. Mas o Brasil é um oceano com muitos ventos contra, segundo essa mesma pesquisa, somos o trigésimo quarto colocado em condições favoráveis aos empreendedores. O que significa que nosso país não é competitivo no fomento a novos negócios.

E mais, isso significa que as barreiras impostas para nós são muitas, nossa carga tributária, por exemplo, é um tema que está em grande discussão e sem dúvida nenhuma é um dos grandes ventos contra que existem. Se a proposta de reforma for aprovada como prevê o texto em questão, não poderemos nem chamar de retrocesso, pois se retrocedêssemos na reforma voltaríamos a uma carga de 24% do PIB como era há alguns anos atrás ao contrário de saltarmos para quase 41%.

O desafio é grande, buscar uma maneira de nos mantermos competitivos e acesos frente a tantas barreiras e dificuldades. Mas o verdadeiro espírito do empreendedor e das pessoas de sucesso é incansável. Não espera que os outros, um ente qualquer, ou mesmo que o governo venha resolver os seus problemas, mas sim, busca soluções e deixa que sua contribuição para a sociedade seja uma conseqüência do seu sucesso individual.

Bom evento a todos.
Luiz Eduardo Fração
Presidente IEE

 

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