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Edição Nº 42- 22 de setembro de 2003
Entrevista
"Ser empreendedor é um estado e espírito. É reunir coragem e conhecimento suficiente para se lançar no mercado de trabalho e realizar"

Entrevista com: Sidney Simonaggio

Executivo do Setor Elétrico, Sidney Simonaggio ocupa o cargo de diretor-presidente da Rio Grande Energia (RGE), desde março de 2000. É bacharel em direito pela PUCRS, engenheiro eletricista e mestre em engenharia elétrica. Entre suas experiências profissionais, Simonaggio atuou como diretor de geração e transmissão da Eletropaulo - Eletricidade de São Paulo S/A, sendo responsável pelas áreas de planejamento, projeto, construção, operação e manutenção do sistema elétrico e do sistema de geração e de telecomunicações da empresa. Foi diretor técnico da Empresa Paulista de Transmissão de Energia Elétrica S.A. (EPTE) e da Empresa Metropolitana de Águas e Energia S.A. (EMAE - SP). Foi membro do Conselho de Administração da Administradora de Serviços do Mercado Atacadista de Energia (Asmae); presidente do Comitê de Operação e Planejamento do Sistema Elétrico do Rio Grande do Sul (Copergs) e membro da diretoria da Associação Brasileira de Concessionárias de Energia Elétrica (ABCE). Desde 2002, é membro da diretoria da Federação das Associações Comerciais do Estado do Rio Grande do Sul (Federasul) e do Conselho Diretor da Associação Brasileira das Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee).

Durante esta entrevista, realizada com exclusividade para a Revista Leader, durante o V Fórum Universidade-Empresa, em Porto Alegre, Simonaggio fala sobre o tema do empreendedorismo e a importância da educação no processo de incentivo destas características nos profissionais.

Equipe Editorial: O que é empreendedorismo na sua visão?Qual é a importância do empreendedorismo para a economia do país?
Sidney Simonaggio: Ser empreendedor é um estado e espírito. É reunir coragem e conhecimento suficiente para se lançar no mercado de trabalho e realizar. É importante dizer que ser empreendedor não é apenas ter e tocar seu próprio negócio. Podemos empreender sendo empregados das empresas. Não vamos confundir empreendedorismo com ter seu próprio negócio. Quem tem a empresa é empresário. Empreendedor é aquele que inova, se lança a atividades e desafios, seja como empresário ou empregado de alguma empresa. O espírito empreendedor está em criar novidades dentro do seu departamento. Precisamos no Brasil de mais pessoas empreendedoras.

Equipe Editorial: Como se incentiva o empreendedorismo nas pessoas?
Sidney Simonaggio: Vivemos num mundo onde é preciso haver troca entre as pessoas. Cada um tem suas habilidades específicas, e precisamos de todas as habilidades do mundo. A melhor forma de conseguir isso é promovendo trocas entre todas. Para tanto, alguém tem que dar e outro receber. Quem recebeu, por seu turno, tem que ter algo feito para poder trocar. Ora, não podemos ser um país que apenas compra e não produz nada para trocar. Chega uma hora em que não temos mais com o que comprar. Diria que essa hora já passou. Com esse espírito empreendedor, vamos produzir, construir e fazer. É a geração de riquezas, para termos algo para trocar. Neste dia, teremos estabilidade cambial. Não existe melhor moeda de troca do que o trabalho. Mas esse espírito não existe muito na nossa gente.

Equipe Editorial: O que é necessário para aumentar e qualificar os empreendedores brasileiros?
Sidney Simonaggio: Precisamos reestruturar as escolas e colocar na criança esse espírito empreendedor. Para começar a mudar esse estado de espírito de empreendedor é preciso acabar com o estado de espírito de comprador, sem ter nada para oferecer em troca. Na minha visão, isso começa na infância. Mostrar para ela o sentido de que para ter é preciso realizar primeiro. Nossas crianças saem do Ensino Médio sem saber abrir uma conta num banco ou qual é o significado de juros. A educação fundamental tinha que ensinar aos jovens a abrir uma conta no banco, no mínimo. Tinha que ensinar a calcular juros, para poderem optar entre pagar os juros ao comprar um bem, ou aplicar o dinheiro, recolher os juros e, aí sim, adquirir algo, à vista.

Equipe Editorial: Em que a ausência de um ensino com essas características nas escolas pode atrapalhar o processo de geração de novas iniciativas?
Sidney Simonaggio: A pessoa não sabe como abrir uma firma. Muitas vezes, tem o espírito empreendedor, mas encontra a barreira da falta de conhecimento. Não sabe abrir uma empresa, não tem noção do que é necessário, noções de orçamento, de orçamento familiar e de gestão empresarial. Tudo isso deveria ser ensinado nas escolas, para que, com 18 anos, os estudantes tivessem visão. Mas não deveria ser uma matéria fácil, devia ser daquelas matérias difíceis de passar, como matemática. Cobrando o esforço para entender práticas de vida, começamos a formar na criança o conceito empreendedor. Assim, conseguiríamos desenvolver uma geração que saberá trabalhar, abrir empresas e conhecer o valor do mercado de ações. No entanto, isso são condições pessoais para o empreendedorismo. Economicamente, o tema só cumpre o seu efeito multiplicador de gerar despesas, de gerar movimento, se não significar o roubo de postos de trabalho. Isso porque, se não vamos continuar trocando, na verdade as pessoas permanecem a maior parte do tempo desempregadas. Para que haja empreendedorismo, é preciso não trocar postos de trabalho, mas sim, criar.

Entrevista realizada com exclusividade para a Revista Leader.


 

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