"Ser empreendedor é um estado e espírito. É reunir coragem e conhecimento suficiente para se lançar no mercado de trabalho e realizar"
Entrevista
com: Sidney Simonaggio
Executivo
do Setor Elétrico, Sidney Simonaggio ocupa o cargo de diretor-presidente
da Rio Grande Energia (RGE), desde março de 2000. É bacharel
em direito pela PUCRS, engenheiro eletricista e mestre em
engenharia elétrica. Entre suas experiências profissionais,
Simonaggio atuou como diretor de geração e transmissão da
Eletropaulo - Eletricidade de São Paulo S/A, sendo responsável
pelas áreas de planejamento, projeto, construção, operação
e manutenção do sistema elétrico e do sistema de geração e
de telecomunicações da empresa. Foi diretor técnico da Empresa
Paulista de Transmissão de Energia Elétrica S.A. (EPTE) e
da Empresa Metropolitana de Águas e Energia S.A. (EMAE - SP).
Foi membro do Conselho de Administração da Administradora
de Serviços do Mercado Atacadista de Energia (Asmae); presidente
do Comitê de Operação e Planejamento do Sistema Elétrico do
Rio Grande do Sul (Copergs) e membro da diretoria da Associação
Brasileira de Concessionárias de Energia Elétrica (ABCE).
Desde 2002, é membro da diretoria da Federação das Associações
Comerciais do Estado do Rio Grande do Sul (Federasul) e do
Conselho Diretor da Associação Brasileira das Distribuidoras
de Energia Elétrica (Abradee).
Durante esta entrevista, realizada com exclusividade para
a Revista Leader, durante o V Fórum Universidade-Empresa,
em Porto Alegre, Simonaggio fala sobre o tema do empreendedorismo
e a importância da educação no processo de incentivo destas
características nos profissionais.
Equipe Editorial: O que é empreendedorismo
na sua visão?Qual é a importância do empreendedorismo para
a economia do país?
Sidney Simonaggio: Ser empreendedor é um
estado e espírito. É reunir coragem e conhecimento suficiente
para se lançar no mercado de trabalho e realizar. É importante
dizer que ser empreendedor não é apenas ter e tocar seu próprio
negócio. Podemos empreender sendo empregados das empresas.
Não vamos confundir empreendedorismo com ter seu próprio negócio.
Quem tem a empresa é empresário. Empreendedor é aquele que
inova, se lança a atividades e desafios, seja como empresário
ou empregado de alguma empresa. O espírito empreendedor está
em criar novidades dentro do seu departamento. Precisamos
no Brasil de mais pessoas empreendedoras.
Equipe Editorial: Como se incentiva o
empreendedorismo nas pessoas?
Sidney Simonaggio: Vivemos num mundo onde
é preciso haver troca entre as pessoas. Cada um tem suas habilidades
específicas, e precisamos de todas as habilidades do mundo.
A melhor forma de conseguir isso é promovendo trocas entre
todas. Para tanto, alguém tem que dar e outro receber. Quem
recebeu, por seu turno, tem que ter algo feito para poder
trocar. Ora, não podemos ser um país que apenas compra e não
produz nada para trocar. Chega uma hora em que não temos mais
com o que comprar. Diria que essa hora já passou. Com esse
espírito empreendedor, vamos produzir, construir e fazer.
É a geração de riquezas, para termos algo para trocar. Neste
dia, teremos estabilidade cambial. Não existe melhor moeda
de troca do que o trabalho. Mas esse espírito não existe muito
na nossa gente.
Equipe Editorial: O que é necessário
para aumentar e qualificar os empreendedores brasileiros?
Sidney Simonaggio: Precisamos reestruturar
as escolas e colocar na criança esse espírito empreendedor.
Para começar a mudar esse estado de espírito de empreendedor
é preciso acabar com o estado de espírito de comprador, sem
ter nada para oferecer em troca. Na minha visão, isso começa
na infância. Mostrar para ela o sentido de que para ter é
preciso realizar primeiro. Nossas crianças saem do Ensino
Médio sem saber abrir uma conta num banco ou qual é o significado
de juros. A educação fundamental tinha que ensinar aos jovens
a abrir uma conta no banco, no mínimo. Tinha que ensinar a
calcular juros, para poderem optar entre pagar os juros ao
comprar um bem, ou aplicar o dinheiro, recolher os juros e,
aí sim, adquirir algo, à vista.
Equipe Editorial: Em que a ausência de
um ensino com essas características nas escolas pode atrapalhar
o processo de geração de novas iniciativas?
Sidney Simonaggio: A pessoa não sabe como
abrir uma firma. Muitas vezes, tem o espírito empreendedor,
mas encontra a barreira da falta de conhecimento. Não sabe
abrir uma empresa, não tem noção do que é necessário, noções
de orçamento, de orçamento familiar e de gestão empresarial.
Tudo isso deveria ser ensinado nas escolas, para que, com
18 anos, os estudantes tivessem visão. Mas não deveria ser
uma matéria fácil, devia ser daquelas matérias difíceis de
passar, como matemática. Cobrando o esforço para entender
práticas de vida, começamos a formar na criança o conceito
empreendedor. Assim, conseguiríamos desenvolver uma geração
que saberá trabalhar, abrir empresas e conhecer o valor do
mercado de ações. No entanto, isso são condições pessoais
para o empreendedorismo. Economicamente, o tema só cumpre
o seu efeito multiplicador de gerar despesas, de gerar movimento,
se não significar o roubo de postos de trabalho. Isso porque,
se não vamos continuar trocando, na verdade as pessoas permanecem
a maior parte do tempo desempregadas. Para que haja empreendedorismo,
é preciso não trocar postos de trabalho, mas sim, criar.
Entrevista realizada com exclusividade para a Revista
Leader.

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