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Terceiro Setor
*Maria Cecília Medeiros de Farias Kother
Tema
atual, moderno, muito falado e tão pouco entendido!
Como se explica esta situação? Será o
conceito e a compreensão de tudo o que ele encerra
ou apenas esta denominação, como nome designado
à sua extensão, o seu significado?!
A resposta, talvez, esteja em ambas as posições
– a de saber o que é o Terceiro Setor e o porquê
deste nome.
Numa história que vai se construindo, as ações
sociais, como todas as outras ações ou fatos
que, também, têm a sua história e, hoje,
podemos dizer que as ações sociais foram a força
que levou a sociedade a se organizar nestas ações,
livremente, e sem fins de lucro, buscando a melhoria de vida
das pessoas e das comunidades. Esta história é
que constitui, hoje, o Terceiro Setor. E o porquê deste
nome vem dos primeiros escritos que mencionavam o Terceiro
Setor, oriundo dos Estados Unidos que são, sem dúvida,
um dos países do mundo em que a ação
social está em nível considerável de
organização e desenvolvimento.
No Brasil, essa denominação foi aceita e a
temos como forma, didaticamente, organizada, para fins de
estudo e compreensão da divisão em Primeiro
Setor – Governo – Segundo Setor – Mercado
e Empresas e do Terceiro Setor – a sociedade civil organizada
na ação social.
A explicação é, “de forma didática”,
pois a sociedade civil está no Primeiro e Segundo Setores,
tanto quanto no Terceiro Setor e não é possível
retirá-la de nenhum deles, pois os homens, como cidadãos,
são quem os constituem. O único diferencial
que a caracteriza, como Terceiro Setor, é o fim único
e intransferível que ela, sociedade civil, mantém,
em si mesma, nesta conceituação.
Esse diferencial separa-a, mas não a distancia do
Governo e do Mercado, pelo contrário, é “a
ação social sem fins de lucro” que caracteriza
a sociedade civil como uma parceira, às vezes, até
anônima, do Governo – Primeiro Setor e lhe dá
o aval para as parcerias com o Segundo Setor – Mercado.
Essa relação intrínseca pela gênese
desses Setores, que é a própria sociedade civil,
que se organiza como Estado, como Governo nas suas três
instâncias e que, como Segundo Setor se organiza nas
suas ações de desenvolvimento e organização
econômica como mercado e que, também, pela sua
estrutura de cidadania e de reciprocidade, de pessoa para
pessoa, que constituem, nas suas relações, o
Capital Social.
Nessa História entrelaçada, a sociedade vai
“costurando”, no decorrer dos tempos, os focos,
as formas de relações, de preocupações,
de crescimento, de entendimento e de desenvolvimento das quais
vão surgindo os conceitos. A terminologia adequada,
tecnicamente, a cada um desses Setores, acompanha o seu nascer
e o seu desenvolvimento.
O Estado e o Mercado possuem conceitos, terminologias próprias,
embora não estejam esgotadas no que já existe,
em razão das próprias mudanças e progressos
a que estão sujeitos.
Por outro lado, o Terceiro Setor, na sua essência,
existe desde a Grécia e a Roma Antigas e acompanha
a Igreja na sua trajetória como “caridade”.
Nesta dinâmica formaram-se as Fundações,
as sociedades, as associações, os institutos,
os clubes e as ONGs como denominações a grupos
de pessoas que trabalham pelos outros. Paralelamente, os termos
foram se ajustando a situações de caridade,
de auxílio, de cidadania, de solidariedade, de responsabilidade
social, de voluntariado, de esmola, de ajuda ao próximo
e, modernamente, emerge, com força, a denominação
Capital Social que Tocqueville, no Século XVII, entendeu
como causa do desenvolvimento da democracia que os Estados
Unidos tinham em relação à França,
cuja força era o espírito associativo que lá
existia.
A abrangência, em profundidade e extensão, que
o termo “Capital Social” traz em si mesmo é
a marca que os analistas teóricos sociais vêem
e atribuem às relações interpessoais
e interorganizacionais que circundam e alimentam o processo
democrático na busca da melhoria de vida dos povos.
Nessa linha de pensamento, o “Capital Social”
traz ao Terceiro Setor a mesma força que o capital
econômico e o capital político dão ao
Primeiro e Segundo Setores.
Desde essas concepções, os termos e os conceitos
que foram emergindo na construção histórica
do Terceiro Setor estarão sob a égide do “Capital
Social” como marca definidora do desenvolvimento da
ação social em todos os setores, no que se refere
às suas interações e à integração
que advenha em todos os processos que objetivem a melhoria
de vida dos cidadãos, das comunidades e dos países.
* Maria Cecília Medeiros de Farias Kother - Presidente da
Fundação Irmão José Otão

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