CAPITAL SOCIAL x TERCEIRO SETOR
*Maria Elena Pereira Johannpeter
Muito
se tem falado em Capital Social, em Terceiro Setor, em Voluntariado,
em Responsabilidade Social, em Marketing Social e em várias
outras expressões. O que elas têm em comum e por
quê estão despertando tanto interesse? Desde as
últimas três décadas que as fundações,
universidades, consultorias têm se empenhado em pesquisá-las
e estudá-las com mais profundidade. E por quê?
Porque a humanidade está vivenciando uma nova realidade.
As pessoas, mais do que as instituições, necessitam
encontrar novos caminhos para a solução de velhos
problemas. As soluções antigas já não
servem. Não serão, apenas, máquinas e tecnologias
que solucionarão necessidades humanas. Serão,
sim, os Valores humanos que somarão para a solução
dos problemas humanos. Estamos, por conseguinte, falando em
Capital Social.
O que é Capital Social? Robert D. Putmam nos diz que,
por analogia e usando noções de capital material
e humano (recursos e treinamento que aumentam a produtividade
individual) o "capital social" refere-se aos aspectos
da organização social, tais como redes de comunicações,
regras e confiança, que facilitam a coordenação
e cooperação para a obtenção de
benefício mútuo. Está falando sobre confiabilidade,
na forma como as pessoas cooperativamente se comportam evitando
lesar umas às outras. O capital social aumenta os benefícios
do investimento em capital material e humano.
Estes Valores do Capital Social são inerentes ao ser
humano. Quando nos distanciamos deles, quando passamos a ver
parte, o micro, e não o todo, o macro, começa
o isolamento, já não existindo mais colaboração.
Stephen R. Covey diz que nós como seres humanos, temos
quatro necessidades: viver, amar, aprender e deixar um legado.
Como legado ele, certamente, não se refere a uma herança
material. Deixar um legado está intimamente ligado
a uma missão, a parte espiritual que todos nós
temos e devemos cultivar, incluindo as empresas. As pessoas
precisam sentir que fazem diferença, desenvolvendo
trabalho voluntário, servindo aos outros, contribuindo,
aprendendo, compartilhando novas idéias e instruindo
indivíduos.
É do Prof. Lester Salamon, um ambicioso projeto realizado
pelo Centro de Estudos da Sociedade Civil, da Universidade
Johns Hopkins (USA). O trabalho mostra como melhorar o conhecimento
básico sobre as dimensões do Terceiro Setor
e ressalta sua importância no contexto econômico.
Lester Salamon busca responder as seguintes perguntas a respeito
do Terceiro Setor: qual é o seu alcance, estrutura
e fonte de ingressos, e como varia de país para país?
Que fatores determinam as diferenças de tamanho, estrutura
e ingressos entre suas instituições em diversos
países? O que promove ou retarda o seu desenvolvimento?
Essas entidades sofrem que tipo de impacto? E quais são
suas contribuições especiais?
Além das informações recebidas deste
estudo, verifica-se que em todos os segmentos, desde o social,
passando pelo econômico-financeiro, humano, pelo ensino,
todos estão pesquisando com muita profundidade o que
é este novo agente, este novo ator que está
se apresentando muito forte, que se chama Terceiro Setor e
que é, com muita certeza, um parceiro tanto do primeiro
setor (governo) quanto do segundo setor (empresas-mercado).
O Terceiro Setor, que é a sociedade civil organizada,
mostra o grau de Capital Social que um país possui
e o quanto os valores e princípios norteadores de uma
comunidade conduzem a resultados de qualidade de vida para
todos. As comunidades não se tornaram cívicas
por serem ricas. A história mostra o oposto: enriqueceram
por serem cívicas. O Capital Social é um recurso
cujo estoque quanto mais usado mais aumenta. Portanto, a abordagem
do capital social pode nos ajudar a fórmulas novas
de estratégias de desenvolvimento.
O Capital Social, incorporado em normas e redes de engajamento
cívico parece ser um pré-requisito para o desenvolvimento
econômico e também para um governo eficaz.
* Presidente da ONG Parceiros Voluntários/RS
http://www.parceirosvoluntarios.org.br

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