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Entrevista
"Para uma pessoa que está se formando agora, tem que tirar a idéia de se preocupar em não arrumar emprego e pensar que poderá sempre estudar um pouco mais"

Entrevista com: Geraldo Hess

Formado em Engenharia Civil, com mestrado em planejamento econômico, Geraldo Hess é diretor da GH Consultoria Empresarial e participa como membro de conselhos de diversas empresas no Brasil e exterior. Também é presidente do Conselho da Junior Achievement e, nesta entrevista, descreve alguns caminhos para o profissional do futuro, a partir de suas próprias experiências.

Equipe Editorial: Quem é hoje o profissional do futuro?
Geraldo Hess: A evolução do mundo de hoje é muito mais rápida do que era antes. As tecnologias foram surgindo e cada vez em velocidade maior. Hoje, uma coisa feita há cinco anos fica obsoleta. Existem evidências claras de que as pessoas sempre têm algum talento. Em um país como o Brasil, metade das pessoas não teve chance nenhuma. E mesmo assim se der uma chance, eles vão evoluir.

Equipe Editorial: Como se pode incentivar e utilizar melhor esse potencial das pessoas nas empresas?
Geraldo Hess: Eu diria que, primeiro, temos que mudar algumas coisas. No Brasil, se um jovem abre um negócio e não dá certo, ele é tratado como fracassado. Nos EUA, se acontece isso, as pessoas dizem: “vai fazer de novo”, “faz outra coisa”, “agora que já aprendeu tanto não vai desistir”. É bom trabalhar a auto-estima. Aqui no Brasil, não se trabalha isso. Veja uma Universidade, você entra em uma, antes disso tem que escolher o que vai fazer, se escolher errado tem que sair da faculdade, prestar outro exame. Isso é uma coisa muito ruim.

Equipe Editorial: Como o senhor avalia os currículos nas universidades? Eles preparam realmente o profissional do futuro?
Geraldo Hess: O problema todo está na educação. Obviamente que o Brasil está assim porque não tem educação de nível. As empresas também falham. Pensa bem: se eu puder ganhar dinheiro pagando mal aos outros e fazendo o que todo mundo faz, eu sou rentável porque pratico salários menores. Teoricamente a curto prazo o meu problema está resolvido, embora sabemos que a longo prazo, não. O maior exemplo disso é que você não consegue citar no Brasil 15 grandes empresas realmente inovadoras.

Equipe Editorial: O senhor afirma em sua palestra que escolheu inicialmente a profissão errada. Como o senhor aconselha os que passam por essa situação. Como aproveitar o que foi aprendido?
Geraldo Hess: Errar aos 17 anos é normal. Escolher a profissão certa é complicado, mas faz parte. Não há o que fazer a não ser se flexibilizar, porque existe uma pressão na escolha da profissão. E ainda estamos falando de crianças, que são escravizadas na faculdade. Elas estão numa universidade, mas não podem percorrê-la, têm de ficar num segmento isolado. Ou seja, nós não podemos experimentar e descobrir o que a gente quer.
Para uma pessoa que está se formando agora, tem que tirar a idéia de se preocupar em não arrumar emprego e pensar que poderá sempre estudar um pouco mais.

Entrevista realizada pela equipe editorial da Enfato Comunicação Empresarial com exclusividade para a Revista Leader Digital.

Jornalistas responsáveis: Raquel Boechat e Mariana Turkenicz
Apoio de redação: Juliana Farias Pacheco


 

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