"As empresas não querem investir em profissionais que precisam aprender windows, correio eletrônico e sistemas de automação de escritório, pois cada vez mais isso se torna uma obrigação do próprio profissional"
Entrevista
com: Hélio Marcelino Fração
Gaúcho, nascido em Santa Maria, Hélio
Marcelino Fração é bacharel em administração
de empresas pela Universidade Federal de Santa Maria/RS, pós-graduado
em Informática para Executivos e Usuário pela
PUCRS e em Administração e Estratégia
Empresarial pela Ulba de Canoas/RS. Também é
pós-graduado em Logística em Transportes na
Escola de Administração de Empresas de São
Paulo - Fundação Getúlio Vargas - Ingressou
no Expresso Mercúrio em 1976 como auxiliar de escritório
na filial de Santa Maria/RS. Passou por diversos cargos como
responsável pelo setor de arquivo e responsável
pelo setor de custos da frota.. Desde 2000, exerce a função
de diretor administrativo na matriz em Porto Alegre, com as
principais atribuições de dirigir a área
administrativa, custeio, padronização de processos
e tecnologia de informação. Nesta entrevista,
realizada com exclusividade para a Revista Leader, Fração
fala sobre o profissional do Futuro, tema principal do Fórum
Universidade-Empresa, realizado em Santa Maria no mês
de outubro. Confira.
Equipe Editorial: Quem é o profissional
do futuro?
Hélio Marcelino Fração:
O profissional do futuro é aquele que tiver devidamente
preparado para a empresa do futuro. E cada vez mais estar
bem preparado exige dois aspectos básicos: uma boa
formação, tanto universitária como pós-graduação,
conhecimento de línguas, e o outro aspecto é
o comportamental, ética, dedicação, interesse,
capacidade de realização e competência.
Equipe Editorial: Muitos dizem que as
universidades hoje têm um currículo antiquado
e que, na verdade, elas não preparam o profissional
do futuro. O senhor concorda?
Hélio Marcelino Fração:
Eu diria que entre as características do mercado de
trabalho estão as mudanças constantes. Este
é um desafio muito grande para a universidade. Acho
importante cada vez mais haver a integração
da universidade com a empresa. Os próprios professores
interagirem mais com a realidade empresarial, os alunos fazerem
estágios. Essa é uma maneira de reciclar constantemente
a universidade. No entanto, o profissional, para estar bem
preparado, constantemente tem que estar se reciclando, buscando
conhecimento das novas tendências e novas idéias.
Equipe Editorial: E essa questão
do avanço tecnológico, qual a mudança
do profissional de antigamente para o atual, levando em conta
esse salto da tecnologia?
Hélio Marcelino Fração:
As empresas mais uma vez estão sendo afetadas principalmente
por causa dessa globalização. A informação
hoje é transmitida para todo o interior do país.
Em qualquer país a gente sabe o que acontece do outro
lado do mundo.
Isso exige que estejamos sempre nos reciclando, pois cada
vez mais a atualização do conhecimento é
um pré- requisito. Vale lembrar que isso é uma
obrigação do próprio profissional, se
preparar e conhecer. Por exemplo, a empresa não quer
investir em profissionais que precisam aprender windows, correio
eletrônico, sistemas de automação de escritório,
pois cada vez mais isso se torna uma obrigação
do próprio profissional. Ele precisa dominar a tecnologia,
pois vivemos na era da automação.
Equipe Editorial: O que as organizações
buscam em um profissional do futuro?
Hélio Marcelino Fração:
Uma boa formação, uma boa preparação,
que ele fale inglês, já que é o idioma
dos negócios. A própria internet é fundamentada
nesta língua, e tão importante quanto, é
essa postura comportamental, a ética e a humildade.
Buscar resultados, procurar a cada dia saber se ele produziu
para justificar o que ele ganha. Assim como teve uma oportunidade
de emprego, ele deve entender que alguém que fez a
empresa crescer, abriu espaço para ele, e isso é
uma responsabilidade social bastante importante. E nunca esquecer
que o trabalho dignifica o homem.
Equipe Editorial: E sobre as empresas
familiares? Um profissional de uma empresa familiar será
automaticamente bem-sucedido? Como se tornar um profissional
do futuro dentro de uma empresa da família?
Hélio Marcelino Fração:
Acho que o desafio é basicamente o mesmo de qualquer
empresa, a gente precisa investir na preparação.
Às vezes, é mais difícil em uma empresa
familiar adquirir o reconhecimento. Portanto, a competência
tem que ser reconhecida, se existir, tanto em uma empresa
familiar como em uma normal. Existe proteção.
Se tivermos falando de pai e filho, principalmente, é
uma relação familiar. Pai que não proteger,
não é um pai. No entanto, porque um profissional
de uma empresa familiar não pode ser competente? Existe
uma corrente onde uma empresa para ser competente e bem-sucedida
não pode ser familiar. A realidade é que o que
ajuda uma empresa familiar a ter bons resultados são
regras claras. O tratamento formal profissional adequado dentro
desta empresa pode criar um bom ambiente. Entre as 500 maiores
empresas da Revista Fortune, a maioria das tem grande crescimento
e maior lucro, são de origem familiar.
Entrevista realizada pela equipe editorial da Enfato Comunicação Empresarial com exclusividade para a Revista Leader Digital.
Jornalistas responsáveis: Raquel Boechat e Mariana Turkenicz
Apoio de redação: Juliana Farias Pacheco

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