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QUANDO
OCORRERÁ O ESPETÁCULO DO CRESCIMENTO?
*Giácomo Balbinotto Neto
O crescimento econômico significa essencialmente um
aumento na produtividade no longo prazo, isto é, o
que faz um país crescer e aumentar o seu bem-estar é que
ele produz mais produtos e serviços para cada indivíduo.
Deste modo, o objetivo da teoria do crescimento econômico
implica em saber quais as razões que tornam uma sociedade
mais produtiva.
De um modo geral, os economistas tem atribuído as
causas do crescimento econômico a uma série
de razões: inovações tecnológicas,
investimento em capital físico e humano, economias
de escala, comércio internacional entre outras. Contudo,
em nosso entender, elas não são a causa do
crescimento, elas são o crescimento. O crescimento
econômico somente irá ocorrer se a estrutura
de incentivos desta sociedade induzirem os indivíduos
a alocarem recursos em atividades que criem riqueza e minimizar
aquelas atividades redistributivas que criam monopólios
e privilégios (as chamadas atividades de rent-seeking).
Assim, o nosso argumento é que a estrutura de incentivos
e as instituições com a qual os indivíduos
se deparam constitui-se no determinante fundamental do crescimento
e do desempenho econômico; ou em outras palavras, o
contexto e o ambiente no qual os indivíduos atuam
tem um papel fundamental no desempenho econômico. Assim,
se uma economia não cresce ou se encontra em declínio
ou estagnada, isto é devido à estrutura de
incentivos e de governança que não induz os
indivíduos a investirem e a inovar. A melhoria continua
da tecnologia é a fonte real do crescimento e do desenvolvimento
econômico. Contudo, este progresso tecnológico
não ocorre num vácuo institucional, mas num
contexto de interação entre os agentes econômicos,
onde as instituições econômicas, sociais
e políticas têm uma importância crucial,
pois o progresso técnico constitui-se num resultado
deliberado de agentes econômicos que alocam recursos
a fim de obter lucros, ou seja, o progresso tecnológico é uma
atividade de “busca de lucros” na qual a sociedade
como um todo se engaja e os empresários em particular.
O crescimento econômico envolve muito mais do que apenas
a acumulação de capital. O crescimento sustentado
exige um movimento na direção da fronteira
tecnológica. Contudo, isto não ocorre por simples
vontade dos indivíduos, mas pressupõe a criação,
desenvolvimento e o aperfeiçoamento de instituições
que garantam os retornos dos investimentos e fortaleçam
o espírito empreendedor, pois não esqueçamos
que são os indivíduos que tem idéias,
produzem, investem, estudam e pesquisam. Assim, estruturas
institucionais que garantam os direitos de propriedade, respeitem
os contratos, tornem as empresas transparentes, que permitam
que sejam criadas e fechadas empresas no menor tempo possível
e políticas macroeconômicas que criem um ambiente
estável (isto é, impostos razoáveis
e previsíveis e inflação baixa, de modo
que os credores e investidores não necessitem se preocupar
com o risco do Estado confiscar seus investimentos, bem como
uma taxa de câmbio estável, com uma conversão
que permita a entrada e saídas fáceis e baratas
da moeda doméstica), são condições
básicas para o crescimento sustentado e para que vejamos
o tão desejado espetáculo do crescimento. Como
nos disse o professor Douglas North (Prêmio Nobel de
Economia) – “instituições importam” e
o recente trabalho do Banco Mundial – Doing Business –2004,
os países não se tornam ricos por acaso, mas
principalmente por que criam e mantém instituição
que fazem que um mercado seja criado e funcione.
*Giácomo Balbinotto Neto - Professor do Programa de
pós-graduação
em Economia da UFRGS

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