Saudando o Sr. Governador do Estado do Rio Grande do Sul
Excelentíssimo Sr. Germano Rigotto, saúdo
as Excelentíssimas autoridades já nominadas,
meus colegas do IEE, bem como a presença de todos
que nesta noite prestigiam o XVII Fórum da Liberdade.
O Fórum da Liberdade já é um evento
consagrado e respeitado no Rio Grande do Sul e no Brasil.
Sempre abordou temas de relevância proporcionando um
saudável debate de idéias que gera em seu público
uma grande necessidade de reflexão.
Um dos grandes objetivos deste evento é o de provocar
o debate para que as pessoas possam formar seus próprios
conceitos sobre os temas tratados.
Nosso desafio a cada edição é o de
buscar assuntos que ao mesmo tempo tenham influência
direta na vida das pessoas e que exponham pensamentos de
vanguarda.
Para a Décima Sétima edição
não foi diferente.
Nosso país encolheu em 2003 e justamente em um ano
em que muitos brasileiros depositaram muita esperança
e expectativa.
Não só o país encolheu economicamente,
mas socialmente também, com uma drástica e
contínua redução de seu poder aquisitivo.
Segundo o IBGE, no ano de 2003 o rendimento real do trabalhador
teve queda de 13,9%, sendo que desde 97 caiu 25%.
No mesmo período o custo de vida aumentou 72%.
Estes dados mostram como o tema desenvolvimento tem uma
relação direta com o dia a dia do Brasileiro.
O evento que se inicia hoje traz oportunidade de ouvir a
11 especialistas que trazem a sua visão do que é um
país desenvolvido e do que é necessário
para que se atinja este status.
Então o que é desenvolvimento?
Uma das definições da palavra no dicionário
Aurélio coloca: “Estágio econômico,
social e político de uma comunidade, caracterizado
por altos índices de rendimento dos fatores de produção:
os recursos naturais, o capital e o trabalho.”
Obviamente a classificação de uma nação
como desenvolvida não é algo simples.
Exige a análise de uma série de indicadores
sociais, institucionais, culturais e educacionais.
Não é menos óbvio no entanto que o
Brasil ainda não pode ser visto como uma nação
próspera uma vez que nossos fatores de produção
não tem um rendimento sequer satisfatório.
No campo social, possuímos distribuição
de renda muito desigual.
No campo econômico, embora tenhamos feito muito progresso
nos últimos anos ainda não somos capazes de
gerar toda a riqueza que necessitamos.
No campo institucional ainda não temos austeridade
e força na garantia do cumprimento de contratos.
E no campo cultural e educacional ainda temos uma população
muito mal instruída.
É interessante notar que em 1800 a renda per capta
do Brasil e dos Estados Unidos eram iguais, o que nos leva
a tentar entender quais foram as razões que nestes
dois séculos que se passaram fizeram com que ficássemos
tão para trás.
Sem contar todo o nosso histórico como colônia,
podemos dizer que nossos problemas enquanto nação
independente começaram quando contraímos um
empréstimo com a Inglaterra e pagamos pela nossa independência.
Nosso país nasceu endividado!
Dívidas estas que ao longo do tempo só foram
aumentando por conta de governos que nunca foram capazes
de se auto sustentar e de fomentar a geração
de riqueza.
Mas nossa situação é muito mais complexa,
a dívida do Brasil é um problema pequeno perto
de tantos outros.
Tomemos o caso das instituições.
Desde a época dos faroestes existiam leis claras
para assegurar o direito de propriedade e o cumprimento de
contratos nos Estados Unidos.
Aqui no Brasil temos um sistemático desrespeito de
contratos, que desperta a desconfiança de investidores
estrangeiros que poderiam entrar no país.
Por exemplo: Temos um sistema que permite a desapropriação
de terras por critérios subjetivos como o de “responsabilidade
social”.
Quem define o que é “responsabilidade social” por
indicadores objetivos?
Até a China está começando a reconhecer
a propriedade privada, enquanto no Brasil o agronegócio
traz consigo intrínseco o risco da “responsabilidade
social da propriedade”.
Não dá para dizer que os recursos naturais
não contribuem para o crescimento de uma nação,
mas é fato que isto só não basta.
Segundo o Premio Nobel de Economia, Douglas North, “Sem
instituições fortes, estímulo a competição
saudável entre as empresas, uma nação
não abandona o atraso e nem a pobreza.”
Outro problema é o nosso sistema tributário.
Reconhecidamente um dos mais complexos e onerosos do mundo,
ele garantiu que em 2002, 36,45% de nosso Produto Interno
Bruto ficasse comprometido com o pagamento de impostos.
Segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário
desde 1986 a arrecadação aumentou 530% ao passo
que no mesmo período a variação do PIB
foi de 287%.
Isto significa dizer que a tributação aumentou
duas vezes mais rápido que nossa capacidade de gerar
riqueza.
Isto é muito grave a sociedade não tem mais
como suportar.
A interpretação da lenda de Robin Hood o coloca
como alguém que “Roubava dos ricos para dar
aos pobres”. Um ladrão com espírito socialista
que buscava a distribuição de renda igualitária.
O que a lenda conta é que com a captura do rei Ricardo
Coração de Leão durante as cruzadas.
Sir John, o cruel monarca de plantão, tomou o seu
lugar e passou a cobrar impostos abusivos de seus súditos.
Robin Hood não se permitiu assistir ao confisco de
forma passiva e passou passou a recuperar àquele dinheiro
a fim de redistribuir a seus verdadeiros donos.
Robin Hood era na verdade um agente de uma reforma tributária
liberal!
Todo este dinheiro recolhido pelos imopostos poderia estar
nas mãos de empreendedores criando empregos, de profissionais
liberais gerando riqueza ou ainda do consumidor gerando demanda
por mais produtos e serviços.
Mas não está, ele vai para as mãos
de Waldomiros e outros que por muitas vezes conseguem buscar
seu espaço na gigantesca máquina estatal que
temos.
Mas não está, estes recursos são desviados
para sustentar a gigantesca máquina estatal que temos.
E esta tem o tocante pretexto de tentar acabar com a pobreza
para justificar suas crescentes intervenções
na vida do cidadão.
E a ironia é que fomos justamente nós quem
terceirizamos a resolução destes
problemas para o estado.
Precisamos caçar esta procuração.
Por isso a participação do governo no processo
de desenvolvimento do país precisa mudar.
Até hoje vimos por um lado a sociedade organizada
buscando fazer o melhor para aumentar sua qualidade de vida
e de outro, o governo lutando também sozinho com o
mesmo objetivo.
É preciso juntar forças, estabelecer prioridades,
o chamado “espetáculo do crescimento” só vai
acontecer quando governo e sociedade juntarem esforços.
Para que isto aconteça, a máquina estatal
deve ser enxuta, a carga tributária deve ser menor,
as instituições deve ser fortes, austeras e
imparicais, garantindo o cumprimento de contratos e a independência
das agências regulatórias além da educação
e instrução do nosso povo ter mais qualidade.
Este é o verdadeiro papel do estado, a garantia da
liberdade, da segurança, do estado de direito e da
justiça.
Existe um caminho a ser trilhado, a sociedade está com
sede de progresso e certamente fará a sua parte.
Precisamos agora que nossos governos comecem a ter um pouco
de humildade e reconheçam que não é são
donos da verdade e que não são eles sozinhos
a chave para a solução de todos os problemas
que vivemos.
Nós enquanto sociedade civil organizada merecemos
um voto de confiança.
Vivemos em um país maravilhoso, com um potencial
extraordinário, não só em termos de
extensão territorial e de recursos naturais, nossa
população é batalhadora e tem muita
iniciativa.
O Brasil tem 14 milhões de empreendedores, segundo
pesquisa da Global Entrepreneurship Monitor.
Mesmo com tantos entraves burocráticos, há quatro
anos, o Brasil era o país mais empreendedor do mundo,
e hoje ocupa o sexto lugar.
Segundo a pesquisa, isso é culpa basicamente da burocracia,
da alta carga tributária e da falta de crédito
no país.
Na convivência dentro do Instituto de Estudos Empresariais
aprendemos o valor da liberdade a acreditar no potencial
do indivíduo como transformador do meio onde vive.
Tudo que precisamos agora é que esta liberdade vire
realidade.
Que ela seja proporcionada para que as pessoas tenham não
só a ambição mas a chance de buscar
uma vida melhor para si mesmas.
A construção de um Brasil melhor está em
nossas mãos.
Muito Obrigado.
Luiz Eduardo Fração
Presidente IEE

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