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FERNANDO
HENRIQUE CARDOSO
A palestra mais esperada do XVII Fórum da Liberdade,
com o presidente da República de 1995 a 2003, Fernando
Henrique Cardoso, lotou o auditório do Centro de Eventos
da PUCRS. Em uma hora e meia, FHC apresentou suas idéias
para desenvolver o país e evitou traçar muitas
críticas ao atual governo, principalmente na questão
do crescimento econômico. “O processo de desenvolvimento
requer persistência e não é imediato,
pois é necessário criar condições
que regem o crescimento, como a cultura e a convicção”,
definiu. FHC preferiu não polemizar ao abordar o trabalho
realizado pela gestão presidente Luiz Inácio
Lula da Silva. “A política de Lula não é igual
a minha. Se há uma dívida, não há outra
escolha senão pagar. Não há como cobrar
dele um espetáculo pois há uma série
de fatores para isso”, defendeu. E para quem espera
um retorno em 2006, ele foi direto. “Não há possibilidade
de um terceiro mandato. Não seria bom nem para mim
nem para o Brasil”, afirmou.
Ao longo da palestra, falou sobre três estágios
históricos do desenvolvimento do país. O primeiro,
na década de 60, com o início dos debates sobre
como fazer o país crescer. “Naquela época,
se sabia que era preciso tecnologia e capital, mas não
havia a idéia de como atraí-lo. Acreditava-se
que era através do aumento de impostos e no investimento
do governo em pólos de desenvolvimento”, lembrou,
acrescentando que o Estado atuava com a sustentação,
através de proteção tarifária
e subsídios. Na década de 70, o “milagre
brasileiro” proporcionou avanços no campo econômico,
mas deixou de lado o social o que, conforme Fernando Henrique,
não permite desenvolver.
Nos anos 90, o último dos estágios, o presidente
apontou que o quadro é diferente, pelo avanço
da globalização. “A única maneira
de criar recursos para o governo era a privatização.
Não era questão de ideologia, não havia
outra saída”, defendeu. Além disso, reforçou
que foram anos em que havia interesse do capital estrangeiro
em buscar novos mercados, pois havia disponibilidade de recursos.
Quadro semelhante, segundo ele, se encontra em 2003 e 2004,
pela baixa taxa de juros nos Estados Unidos e a quantidade
de recursos financeiros disponíveis que, entretanto,
estão se deslocando para países como China
e Índia. “Só através do estabelecimento
de um estado que respeite as instituições,
com clareza no governo e realização de melhorias
na educação o país poderá avançar”,
comentou.
Por: Enfato Comunicação Empresarial

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