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Edição Nº 49 - 23 de Abril de 2004
Palestra

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO


A palestra mais esperada do XVII Fórum da Liberdade, com o presidente da República de 1995 a 2003, Fernando Henrique Cardoso, lotou o auditório do Centro de Eventos da PUCRS. Em uma hora e meia, FHC apresentou suas idéias para desenvolver o país e evitou traçar muitas críticas ao atual governo, principalmente na questão do crescimento econômico. “O processo de desenvolvimento requer persistência e não é imediato, pois é necessário criar condições que regem o crescimento, como a cultura e a convicção”, definiu. FHC preferiu não polemizar ao abordar o trabalho realizado pela gestão presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “A política de Lula não é igual a minha. Se há uma dívida, não há outra escolha senão pagar. Não há como cobrar dele um espetáculo pois há uma série de fatores para isso”, defendeu. E para quem espera um retorno em 2006, ele foi direto. “Não há possibilidade de um terceiro mandato. Não seria bom nem para mim nem para o Brasil”, afirmou.

Ao longo da palestra, falou sobre três estágios históricos do desenvolvimento do país. O primeiro, na década de 60, com o início dos debates sobre como fazer o país crescer. “Naquela época, se sabia que era preciso tecnologia e capital, mas não havia a idéia de como atraí-lo. Acreditava-se que era através do aumento de impostos e no investimento do governo em pólos de desenvolvimento”, lembrou, acrescentando que o Estado atuava com a sustentação, através de proteção tarifária e subsídios. Na década de 70, o “milagre brasileiro” proporcionou avanços no campo econômico, mas deixou de lado o social o que, conforme Fernando Henrique, não permite desenvolver.

Nos anos 90, o último dos estágios, o presidente apontou que o quadro é diferente, pelo avanço da globalização. “A única maneira de criar recursos para o governo era a privatização. Não era questão de ideologia, não havia outra saída”, defendeu. Além disso, reforçou que foram anos em que havia interesse do capital estrangeiro em buscar novos mercados, pois havia disponibilidade de recursos. Quadro semelhante, segundo ele, se encontra em 2003 e 2004, pela baixa taxa de juros nos Estados Unidos e a quantidade de recursos financeiros disponíveis que, entretanto, estão se deslocando para países como China e Índia. “Só através do estabelecimento de um estado que respeite as instituições, com clareza no governo e realização de melhorias na educação o país poderá avançar”, comentou.

Por: Enfato Comunicação Empresarial

 

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