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Edição Nº 49 - 23 de Abril de 2004
Workshops

Workshops paralelos do Fórum abordam ALCA, o papel do governo nos países desenvolvidos e os motivos do subdesenvolvimento brasileiro


Após participar de um painel do XVII Fórum da Liberdade pela manhã, o economista chileno Felipe Larraín voltou ao palco do evento para apresentar o workshop “Livre mercado das Américas: resultados e perspectivas”, como foco os desdobramentos e perspectivas da ALCA. Os países que conduzem a liderança do bloco, Brasil e Estados Unidos, apresentam muitas diferenças entre si, dificultando assim a afirmação do acordo. Segundo Larraín, a data limite para implementar a ALCA não será cumprida em dezembro de 2005, devido às dificuldades enfrentadas pelos países membros em chegar a um acordo flexível. Larraín afirmou que a Área de Livre Comércio das Américas pode se tornar a mais importante área econômica do mundo. Segundo ele, os dados comprovam que ela pode ser potencialmente mais forte do que a União Européia, levando-se em conta o Produto Interno Bruto (PIB) dos dois blocos. A falta de parceria entre os países latino-americanos e da América do Norte, prejudica as exportações. Para ele, se houvesse uma integração maior entre os países, o número de exportações aumentaria consideravelmente.

O fundador e presidente do The Future of Freedom Foundation, o norte-americano Jacob Hornberger, e o filósofo Denis Rosenfield, debateram no workshop o tema “O papel do governo nos países desenvolvidos”, mediados pelo diretor de redação do jornal Zero Hora, Marcelo Rech. Hornberger comentou a proposta de um estado mínimo, cuja função é cuidar das pessoas que abusam de sua liberdade e para controlar disputas. A quantia de impostos necessária para pagar o governo deveria ser calculada, segundo ele, após a definição de funções do Estado. “Isso talvez não atinja mais do que 2% ou 3% do rendimento das pessoas”, defendeu. Rosenfield acrescentou que é necessária uma reforma gerencial no governo, para que haja um gasto menor. “O papel do governo está em criar políticas que promovam melhorias na economia. O desenvolvimento e a melhoria das condições sociais será conseqüência”, aponta. O filósofo defende que a forma de atuação do governo, inchando a máquina pública estatal, impede o desenvolvimento da sociedade e de suas responsabilidades.

No último dos três workshops, A história do subdesenvolvimento brasileiro, o escritor Eduardo Bueno e o historiador e escritor, Voltaire Schilling, falaram sobre o processo de subdesenvolvimento do nosso país. Bueno destacou alguns pontos da história de colonização do Brasil, como toda importância do pau-brasil e, também, a relação desses pontos com o não desenvolvimento. “O pau-brasil era a única coisa aparentemente rica do país, foi a primeira metrópole estatal, e deu ao Brasil grandes chances de troca mercantil, que ele não aproveitou como poderia”, conta ele. Segundo o escritor, o fato de sermos brasileiros deve-se unicamente ao pau-brasil. “Teríamos de ser brasilienses, pois brasileiros eram os que exploravam a única riqueza que tínhamos”, finalizou. Voltaire Schilling fez uma comparação do Brasil, como país subdesenvolvido, com os EUA, como primeira potência mundial, com o objetivo de questionar o motivo do nosso país não ter obtido tamanho sucesso. “O que percebo é que sempre tivemos e ainda temos um enorme complexo de inferioridade, que Portugal nos deixou e ainda hoje permanece”, explica.

Por: Enfato Comunicação Empresarial

 

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