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ANTES TARDE DO NUNCA
*Fernando Bertuol
A geração dos filhos da classe média que cresceu ouvindo
e acreditando que o Brasil era "o país do futuro" esqueceu
de perguntar que futuro era este. Passados 30 anos deste
sonho não só nos deparamos com um acinzentado futuro como
perdemos a capacidade de sonhar e de transmitir aos nossos
filhos o sonho que tínhamos de construir um grande e justo
país para se viver e para se orgulhar.
Nosso país, privilegiado
por belezas naturais deslumbrantes e constituído por um povo
alegre e trabalhador, fruto da mistura de muitas raças e
da inocência da sua cultura, sofre ao longo de décadas a
expropriação de parte significativa de sua renda a título
de tributos e taxas, os quais constituem hoje a segunda maior
carga tributária do globo terrestre (40% do PIB), sem que
se receba o retorno para os quais foram criados.
A classe
média brasileira, responsável por cerca da metade do pagamento
desta monstruosa carga tributária, trabalhou, juntamente
com todos os demais brasileiros que sofrem a incidência dos
tributos no seu dia-a-dia, até o dia 25 de maio para pagar
esta salgada conta imposta pelos governantes. Soma-se a este
período mais 102 dias para que a classe média possa comprar
os serviços que os governos (federal, estadual e municipal)
deixaram de entregar com o mínimo de qualidade aceitável
tais como: escola; segurança; saúde e previdência.
A geração
que sonhou com o "país do futuro" trabalha hoje 247 dias
para, só depois
disto, começar a pensar nos seus sonhos. Será que é possível continuar acreditando
no "país do futuro"? A resposta a esta pergunta que não quer calar começou a
ser construída no dia 25 de maio de 2004, por um heróico grupo de pessoas de
classe média do Rio Grande do Sul (profissionais liberais, professores, funcionários
públicos, pequenos empresários, donas de casa, professores, executivos e gerentes
...) através de uma associação criada em 1999, chamada ACLAME (Associação da
Classe Média). A entidade nasceu com o objetivo de levantar as "bandeiras" de
resgate da dignidade da classe que mais sofre pressão pelo crescente arrocho
tributário, desceu da arquibancada e corajosamente instituiu junto co outras
entidades, o "Dia da Liberdade de Impostos". A data é um alerta à sociedade e
aos governantes, significando que, ou invertemos esta lógica de ineficiência
e corrupção na gestão da coisa pública, para que não só a classe média mas também
todos os cidadãos de bem deste país possam verdadeiramente sonhar com um grande
e mais justo país, ou continuaremos a assistir a corrosão do trabalho, da vontade
e da esperança.
Chegou a hora da classe média definitivamente lutar pelo que é seu.
A classe
média é responsável por 60% dos empregos do país, por 67% da arrecadação do imposto
de renda, 62% das vendas dos Shopping Centers saem do bolso da classe média,
assim como 54% das vendas de automóveis. Os filhos da classe média têm 60% das
vagas nas escolas privadas e é a classe média que sustenta o mercado editorial
e tantos outros índices de consumo que movimentam a economia do país.
A carga tributária, inseparável companheira da classe política, que hoje destrói
nossos sonhos, é a mesma que está a serviço das corporações estatais e da ineficiência
dos governos. Cabe a cada cidadão brasileiro, que quer preservar a democracia
e a liberdade, a reflexão e a atitude de mudar, pelo voto, através da escolha
de homens e mulheres que, comprometidos com o futuro do Brasil, formem uma nova
classe política que ande de costas para a corrupção e que possa resgatar o espírito
público que deve nortear qualquer governante, e que há muito tempo já desapareceu
dos ideais e das ações daqueles que nos representam.
Comemorar o "Dia da Liberdade de Impostos" é dever daqueles que reconhecem que é possível
sim sonhar com um país melhor, é mostrar para os nossos filhos que podem nos
tirar tudo, mas se ainda tivermos "voz", nada está perdido. O "Dia da Liberdade
de Impostos" é o grito da geração que, mesmo tardiamente, ainda quer o "país
do futuro".
*Arquiteto, presidente da Aclame – Associação da Classe Média

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