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ALTOS TRIBUTOS E BAIXO
DESEMPENHO ECONÔMICO
*Paulo Afonso Feijó
O mundo burocrático utópico brasileiro, representado pelos
gastos do setor público, hoje ao redor do estratosférico
patamar de 40% do PIB, ignora que está ligado, de forma umbilical,
ao setor privado. Sabe-se que o gigantismo estatal e a conseqüente
carga tributária prejudicam a formação de renda e de empregos
em nosso País e se transformam na principal causa das pressões
de custo do meio empresarial e do fechamento das portas,
nos últimos anos, de um grande número de pequenos e médios
estabelecimentos, com seqüelas severas na produção e nos
empregos da nossa economia.
Embora a transferência dos custos
tributários aos preços seja uma iniciativa normal das empresas,
até como forma de evitar a falência, a maioria delas não
consegue isso, devido à perda do poder aquisitivo da população.
Isso as deixa num dilema mortal: a) se transferem os custos
aos preços, perdem vendas e acabam operando abaixo do ponto
de equilíbrio, com prejuízos financeiros; ou b) se não transferem,
sofrem, da mesma forma, prejuízos financeiros, devido aos
altos custos tributários.
A Federasul vem seguindo uma política
de união com as demais instituições empresariais,
principalmente com a Fiergs, Farsul e Fecomércio, tentando formar uma força sinérgica
e conseguir sensibilizar o meio político para reduzir, de forma paulatina, a
brutal carga tributária no Brasil aos idos do início da década de 70, quando
ela girava ao redor de 20% do PIB. Esse nível de tributação, aliás, é semelhante
ao das economias com renda per capita semelhantes a nossa e dada como um limite
acima do qual os países não podem ultrapassar, sob pena de aumentar de forma
crescente, pari passu, os problemas econômicos e sociais da sua população.
Como,
além de exagerado, o atual sistema tributário brasileiro é profundamente
injusto — pune os pobres com muito mais rigor do que os ricos — vamos dirigir
nossos esforços para também reduzir a regressividade do atual sistema, defendendo
uma menor participação dos tributos que incidem sobre a cadeia produtiva, a exemplo
do ICMS, IPI, PIS, Cofins, INSS, entre outros.
Temos, portanto, que defender
um sistema jurídico que verdadeiramente assegure o direito de propriedade, não
só por se tratar de uma instituição consagrada no mundo democrático, acima de
posições ideológicas, como por ser a base de qualquer sistema capitalista.
São
metas que não visam apenas a defesa das nossas instituições, como também
do crescimento econômico, da geração de empregos e da luta do verdadeiro estado
de direito em nosso País.
*Presidente da Federação das Associações Comerciais e de Serviços do Rio Grande do Sul (Federasul)

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