Edição 81 | novembro de 2009
O futuro da América Latina
Sim. Há pouco mais de duas décadas, com o fim das ditaduras, os países da América Latina tinham dois caminhos a seguir.

O primeiro deles era o de se entregar às tentações de promessas de abundância e pouco trabalho - caminho no qual o Estado seria a solução de todos os problemas e para o qual prevalecia a ideia de "a cada um de acordo com a sua necessidade, de cada um de acordo com a sua capacidade". Essa foi a opção de países como Argentina, Equador, Venezuela, Paraguai.

A segunda opção era a de trabalhar e não depender de ninguém, senão de si mesmo. Nesta, o Chile ficou sozinho.

O que enxergamos hoje na América Latina nada mais é do que o resultado da ignorância de suas populações e da escolha de líderes que buscam o poder para benefício próprio, ludibriando a população desinformada com promessas populistas que nunca são cumpridas por culpa dos "capitalistas sanguinários".

Toda vez que se ouve a palavra "social", temos um sinônimo de algo por que pagamos mais do que deveríamos, sem que obtenhamos nada em troca. O futuro da América Latina está perdido nessa palavra.

O Estado de Direito está condenado pela "Justiça Social". Essa pseudojustiça abre prerrogativa para descumprimento de contratos. A propriedade privada está condenada pela "função social", que relativiza esse direito, abrindo precedentes perigosos. O mérito está condenado pela "igualdade social", que desincentiva os mais capazes e estimula os parasitas. A educação está condenada pela "inclusão social", que, sob esse prisma, continua a manter a população sem o senso crítico para entender esse círculo vicioso.

Portanto o futuro da América Latina não será nenhuma surpresa. A não ser que tenhamos uma mudança drástica de lideranças, nosso futuro será permanecer eternamente em desenvolvimento, lutando pelas causas erradas, da forma errada, e perdendo tempo ao adotar medidas de um modelo falido e perverso.


Luiz Leonardo Fração
Presidente do Instituto de Estudos Empresariais (IEE)